Entidade teme repasse de custos aos preços e dificuldade de adaptação para micro e pequenas empresas que abrem aos fins de semana
O fim da escala 6x1, aprovada esta semana, pode trazer desafios para o comércio de Uberaba, especialmente em relação aos custos com funcionários, à contratação de mão de obra e à manutenção dos horários de atendimento. A avaliação é da Câmara de Dirigentes Lojistas (CDL), que alerta para o risco de repasse de despesas aos consumidores e aponta possíveis dificuldades de adaptação, principalmente para micro e pequenas empresas que funcionam aos fins de semana e feriados.
Segundo a avaliação da CDL, a redução da jornada poderá elevar os gastos com pessoal, especialmente nos estabelecimentos que precisam manter o atendimento aos clientes aos fins de semana e feriados. Caso os custos adicionais não sejam absorvidos pelas empresas, existe o risco de repasse aos preços dos produtos e serviços. A entidade, no entanto, não apresentou estimativas de reajustes nem dados que permitam dimensionar o possível impacto no comércio local.
Outro ponto levantado é a possibilidade de mudanças nos horários de funcionamento das lojas. Diante da necessidade de reorganizar as escalas, estabelecimentos que não conseguirem ampliar suas equipes poderão avaliar alternativas para manter o atendimento. A CDL não informou se já há comerciantes de Uberaba que pretendem reduzir o expediente ou alterar os dias de abertura, mas considera que a adaptação poderá representar um desafio para empresas que dependem do trabalho presencial durante períodos de maior movimento.
A disponibilidade de mão de obra também preocupa a entidade. Com a redução das horas trabalhadas, os empregadores poderão precisar contratar funcionários ou redistribuir as jornadas para cobrir os períodos de atendimento. Para a CDL, a dificuldade de encontrar profissionais e o prazo de adaptação previsto na proposta podem ampliar os desafios operacionais, principalmente para negócios com equipes reduzidas.
O impacto sobre as micro e pequenas empresas é outro aspecto destacado por Lourival Ferreira da Costa. Diferentemente de grandes redes, estabelecimentos menores podem ter menos recursos para contratar novos funcionários e reorganizar os turnos sem comprometer o funcionamento. “Os lojistas convivem diariamente com suas equipes e sabem o valor de cada profissional. Reconhecemos a legitimidade do debate. O que lamentamos é a forma como foi conduzido”, afirma o dirigente.
Apesar das ressalvas, a CDL afirma reconhecer a importância do descanso e da convivência familiar dos trabalhadores, mas defende que a mudança seja acompanhada de medidas que considerem a realidade econômica das empresas. “Defendemos tempo de qualidade para o trabalhador, mas isso precisa vir acompanhado de responsabilidade econômica e segurança jurídica. Sem isso, quem paga a conta é o próprio comércio local e o consumidor”, diz Lourival. Os possíveis efeitos sobre preços, empregos e horários de atendimento, contudo, dependem da implementação das novas regras e das decisões adotadas por cada estabelecimento.