Jairo Chagas
Servidora Devani de Paula conta, emocionada, que foi agredida, fato presenciado por Avena Gomide
Duas auxiliares da Área Financeira (ATB) da Escola Estadual Marechal Humberto de Alencar Castelo Branco procuraram a presidente do Sindicato Únicos dos Trabalhadores em Educação (Sind-UTE), Maria Helena Gabriel, ontem, para denunciar a falta de funcionários. Segundo as servidoras, o problema está gerando o descontentamento de alguns pais, o que culminou na agressão verbal às funcionárias dentro da escola.
A servidora Devani Aparecida de Paula ressalta que não sabe o motivo da falta de tantos funcionários em escolas do Estado. “Fui para lá em 2011. Desde essa época tem um número muito grande de documentos dos alunos atrasados na secretaria. Fui trabalhar no sábado, ficando das 7h até 13h, trabalhamos de manhã, mas também ficamos à tarde e à noite, e por mais que nós trabalhemos e nos sobrecarregamos para terminar os históricos escolares dos alunos, ainda há atrasos. Por isso, fomos agredidas verbalmente pelos pais de aluno pelo histórico do filho. Estávamos sozinhas e tivemos que chamar um professor, porque não há ninguém para nos amparar”, conta a funcionária, emocionada.
No momento da agressão, Devani estava com a colega Avena Gomide Ferrari. Ela conta que as duas devem cumprir a carga horária de 30 horas semanais, o que significa trabalhar seis horas por dia, de segunda a sexta, mas, em razão do volume de trabalho atrasado, o tempo excedente que as duas trabalham acaba sendo voluntário. As servidoras contam ainda que já sugeriram o deslocamento temporário de funcionários de outros departamentos menos sobrecarregados para suprir a carência da secretaria, que tem uma funcionária em licença constante por saúde, mas não foi permitido. Devani alerta que há apenas uma funcionária, com mais de 60 anos de idade, para fazer a limpeza de toda a escola. Além disso, há apenas duas cozinheiras designadas para o período matutino que preparam a merenda para os alunos da manhã, lavam a louça e ainda preparam o que será servido à tarde, por servidores voluntários.
Avena Gomide destaca não conseguem se dedicar apenas aos históricos escolares, a fim de dar solução ao atraso, porque a todo momento precisam se dividir no atendimento a outros pedidos, como matrículas e a procura de documentos antigos solicitados por ex-estudantes da instituição. “Os alunos que estão para entrar na faculdade e estão pleiteando bolsas, muitos podem perder porque não conseguimos cumprir o prazo e não é por má vontade”, completa.