Cerca de 50 trabalhadores da área viajam para tratativas com coordenação geral da greve
Foto/Jairo Chagas/Arquivo JM

Paralisados desde a última sexta-feira (23), servidores da Empresa Brasileira de Serviços Hospitalares (Ebserh) lotados no Hospital de Clínicas da Universidade Federal do Triângulo Mineiro (UFTM) reclamam de falta de diálogo com a diretoria da unidade de saúde. Além disso, o grupo irá a Brasília buscar apoio no Tribunal Superior do Trabalho (TST). A greve segue com prazo indeterminado.
De acordo com denúncia recebida pelo Jornal da Manhã, foi relatado que, antes da greve, alguns setores trabalhavam com seis funcionários. Agora, com o ato, pedem que esses mesmos setores trabalhem com oito funcionários, descobrindo outras alas, em uma tentativa de prejudicar a greve.
Outro ponto levantado é que a diretoria havia informado que precisava de trabalhadores em um determinado setor porque estavam somente com três enfermeiros. Ao chegar no local, a denunciante viu que tinham cinco trabalhadores, relatando ter sido enganada. “Estão mentindo pra gente. Jamais a gente quis prejudicar a população, porque nós somos população”, desabafa.
De acordo com Fernando Alves, um dos integrantes do Sindicato dos Trabalhadores Ativos, Aposentados e Pensionistas do Serviço Público Federal de Minas Gerais (Sindsep-MG), os trabalhadores estão atentos às necessidades da população no HC-UFTM, mas não têm diálogo com a diretoria.
“O hospital não senta pra dialogar com a gente em momento nenhum, para remanejar uma escala de trabalho, tentar fazer um quantitativo mínimo, que foi proposto antes da greve, para não causar impacto nos pacientes, mas infelizmente a gestão do hospital é uma gestão autoritária e não teve esse diálogo”, aponta Fernando.
Em contato com o Hospital de Clínicas, em nota, a instituição nega as acusações e relata que o movimento descumpriu acordo.
“A alegação de recusa da gestão local em dialogar sobre remanejamento de escalas de trabalho não coincide com a realidade, tendo acontecido reunião entre a gestão e representantes do comando de greve no dia 20 de setembro. No dia 21, nova reunião da qual participaram 12 responsáveis técnicos de enfermagem e a Divisão de Enfermagem estabeleceu um acordo, em ata, de dimensionamento mínimo de pessoal para cada serviço assistencial do HC, de modo a reduzir os potenciais prejuízos à população assistida. Esse acordo estabelecido em ata foi desrespeitado pelo movimento grevista já no dia 22”, diz o comunicado.
Conforme o levantamento do HC-UFTM, desta terça-feira (27), são 88 grevistas na unidade, de profissões como assistente em administração, técnicos em enfermagem, enfermeiros, técnicos em farmácia, fisioterapeutas e analistas administrativos.
De acordo com Fernando, somando os três turnos, estão em torno de 180 a 200 profissionais no movimento de greve como um todo. Além disso, nesta quarta-feira sairia um ônibus com cerca de 50 trabalhadores e diretores sindicais para fazer mediação com o comando da greve, em Brasília.
Entre as reivindicações do movimento estão o reajuste salarial, que está congelado desde 2019; valorização de toda classe de trabalhadores; ajuste linear para todos assistentes administrativos, no valor de R$600,00, uma vez que a própria empresa já reconheceu a defasagem salarial dessa categoria; manutenção da base de cálculo da insalubridade (salário base) e manutenção das cláusulas sociais.