O avanço da tecnologia e o uso crescente de ferramentas digitais têm impulsionado novas modalidades de golpe, cada vez mais sofisticadas e difíceis de identificar. Em Uberaba, o Procon tem registrado aumento nas ocorrências, especialmente aquelas que envolvem manipulação emocional e uso indevido de dados. Entre os casos recentes, chamam atenção fraudes que utilizam inteligência artificial para criar imagens falsas e enganar vítimas nas redes sociais.
De acordo com o presidente do Procon Uberaba, Anderson Romero, em entrevista à Rádio JM, os criminosos têm explorado tanto recursos tecnológicos quanto aspectos psicológicos das vítimas. Um dos exemplos é a criação de imagens de pessoas em situação de vulnerabilidade, como crianças doentes ou pessoas com deficiência, para solicitar doações falsas. “Os golpes estão cada vez mais sofisticados. Às vezes não é só tecnologia, é trabalhar a confiança da pessoa, mexer com o emocional para que ela acredite e acabe transferindo dinheiro”, explicou.
Outro tipo de fraude que segue em alta é o golpe do WhatsApp, em que criminosos se passam por familiares ou amigos para pedir transferências via Pix. A estratégia, segundo Romero, é baseada na confiança e na urgência, o que reduz a chance de verificação por parte da vítima. “Eles entram em contato dizendo que trocaram de número, se passam por um filho, um neto, e pedem dinheiro com urgência. Muitas vezes a pessoa nem desconfia e acaba caindo”, afirmou.
Como forma de prevenção, o Procon orienta que famílias adotem medidas simples, como a criação de códigos de segurança para confirmar a identidade em situações suspeitas. Também é recomendado evitar transferências imediatas sem checagem prévia e desconfiar de pedidos feitos fora do padrão habitual. Em caso de dúvida, a orientação é interromper a conversa e buscar contato direto com a pessoa envolvida.
Além disso, o órgão chama atenção para a responsabilidade de plataformas digitais na veiculação de conteúdos fraudulentos. Anúncios falsos e páginas que imitam empresas conhecidas seguem sendo utilizados para aplicar golpes, especialmente em redes sociais e mecanismos de busca. Nesses casos, segundo o Procon, as empresas podem ser responsabilizadas por permitir a circulação desse tipo de conteúdo.
“As plataformas têm responsabilidade quando deixam páginas falsas e anúncios fraudulentos no ar. Quando há denúncia, elas precisam retirar imediatamente e podem responder pelos prejuízos causados ao consumidor”, destacou Romero. O Procon informa que, ao identificar esse tipo de situação, pode abrir processos administrativos e encaminhar os casos às autoridades policiais.
O órgão reforça a importância da atenção redobrada no ambiente digital. A recomendação é verificar sempre a veracidade das informações, evitar clicar em links suspeitos e, em casos de golpe, procurar imediatamente o banco e registrar ocorrência. A combinação entre informação e prevenção, segundo o Procon, é a principal ferramenta para reduzir os prejuízos causados por fraudes.