CIDADE

Governo deve investir em serviços intermediários de assistência ao idoso, avalia promotor

Luiz Henrique Cruvinel
Publicado em 07/12/2022 às 09:52Atualizado em 26/12/2022 às 22:57
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Registro em unidades asilares deve ser a última alternativa, diz promotor (Foto/Ilustrativa)

Em entrevista à Rádio JM, nesta quarta-feira (7), o promotor de Justiça Rafael Moreno, à frente das fiscalizações das casas de acolhimento de Uberaba, ponderou que a Prefeitura deve montar estratégias melhores para evitar as longas filas em Instituições de Longa Permanência de Idosos (ILPIs). Uma das alternativas a serem projetadas urgentemente, segundo Rafael, é a instalação de serviços os quais ele define como intermediários, como resolução de conflitos familiares e assistência qualificada.

Na avaliação do promotor, atualmente, é invertido o pensamento estratégico de cuidados aos idosos. A qualquer intercorrência, obstáculo ou dificuldade, a solução acaba sendo o registro nas ILPIs, tornando os lares de acolhimentos locais sobrecarregados, inchados e dificultando a assistência adequada. É preciso garantir que a decisão de colocar ou não um familiar em uma das unidades seja acompanhada de um suporte social específico, que deve ser garantido pelo Poder Público.

“Pelo Estatuto do Idoso, a colocação do idoso em ILIPs é o último caso. Quando ele não tem familiares, ou vive com família desestruturada. Mas, na prática, o que acontece é que basicamente: tem algum problema e o idoso vai ficar desassistido? Joga para a unidade. O ideal é ter mecanismos intermediários. Temos que fortalecer os Centros de Referência de Assistência Social (CRAS) porque são órgãos que previnem conflitos. O CRAS tem essa função de trazer a população para um convívio saudável da família. O fortalecimento dos CRAS vai fazer com que, a longo prazo, a assistência fique melhor e mais barata, porque não será necessário só colocar o idoso no asilo”, explica Rafael Moreno.

O promotor revelou que a Secretaria de Desenvolvimento Social (Seds) apresentou um projeto de criação de uma ILPI de grande porte em Uberaba. No entanto, essa medida apenas postergaria o problema, que deve ser pensado sempre a longo prazo.

Desta forma, outra sugestão apresentada por ele é averiguar caso a caso e, se possível, investir em lares de acolhimentos com funcionamento específico. Isso resolveria, por exemplo, as situações em que familiares trabalham o dia todo e não conseguem garantir a segurança e a assistência do idoso.

“O problema da ILPI não é só fazer outras unidades. O problema é que não temos serviços intermediários. Muitos idosos não querem ir para a ILPI, mas o familiar que eles têm trabalha o dia inteiro, e a família não tem como pagar um auxílio. E hoje, o município acaba colocando em ILPI. Mas o ideal seria ter uma casa para o dia, para o necessitado passar o dia lá e à noite voltar para a residência. E a falta desses serviços intermediários gera prejuízo, porque a vaga para ILIPs é mais cara. Eu disse para a Seds: ‘olha, vocês precisam de serviços intermediários entre a não assistência e o acolhimento do idoso em unidade asilar. Essa última solução é a drástica, a exceção”, finalizou o promotor.

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