Mobilização integra paralisação nacional e, segundo o sindicato, aumenta adesão em Uberaba; comando local também passa a discutir sobrecarga, jornadas e teletrabalho no HC-UFTM
(Foto/Eli Amuy)
(Foto/Eli Amuy)
A greve dos Técnicos-Administrativos em Educação da Universidade Federal do Triângulo Mineiro (UFTM) entrou em nova fase de organização local, com a instalação do Comando de Greve e ampliação do número de servidores participantes. O movimento, por tempo indeterminado, integra a paralisação nacional coordenada pela FASUBRA Sindical e tem como eixo principal a cobrança pelo cumprimento integral do Termo de Acordo nº 11/2024, firmado com o Governo Federal.
Segundo as coordenadoras do SINDTTAE, Sarah Sorati dos Santos e Andreza Fabiana da Cunha, a greve decorre da ausência de avanços em pontos pactuados há quase dois anos. “Não se trata de uma nova pauta, mas do cumprimento do que já foi assinado. Passados quase dois anos, grande parte das cláusulas permanece não implementada ou apenas parcialmente cumprida”, afirma Sarah Sorati. Andreza Cunha acrescenta que “a mobilização é pelo núcleo estruturante do acordo, que inclui jornada de 30 horas semanais, reposicionamento de aposentados, plantão 12x60 e aplicação ampla do Reconhecimento de Saberes e Competências (RSC). Até o momento, esses pontos ainda não foram efetivados.”
De acordo com o sindicato, a mobilização local tem sido crescente e organizada. No primeiro dia, foram registradas 87 adesões; na terça-feira (24), o número chegou a 128 servidores. “A adesão expressiva demonstra maturidade política da categoria e compreensão de que as conquistas são coletivas. Esperamos que, a cada dia, mais trabalhadores se sintam fortalecidos quanto ao seu papel na defesa de melhores condições de trabalho e de uma universidade pública de qualidade”, afirmam as coordenadoras.
Durante tratativas com a Pró-Reitoria de Gestão de Pessoas (PROGEPE), foram definidos critérios para assegurar a continuidade das atividades essenciais, com manutenção mínima de 30% da força de trabalho nesses setores. Setores não essenciais podem paralisar integralmente, desde que garantido o funcionamento dos serviços indispensáveis. “Houve reunião com a PROGEPE para pactuar os serviços essenciais e definir fluxos de comunicação. Todos os acionamentos da administração foram atendidos em tempo hábil”, ressalta Sarah Sorati.
No Hospital de Clínicas da UFTM (HC-UFTM/Ebserh), o atendimento considerado indispensável permanece preservado. Em nota, a instituição informou que “a assistência aos pacientes segue normalmente, sem interrupções relacionadas à greve dos servidores técnico-administrativos. A gestão realiza monitoramento contínuo da situação e qualquer ajuste pontual será comunicado previamente. Reafirmamos nosso compromisso com a qualidade da assistência, a segurança dos pacientes e a transparência na comunicação com a sociedade”.
Entre os pontos ainda pendentes do Termo de Acordo nº 11/2024, segundo a categoria, estão: “Reposicionamento de aposentados, aplicação das cláusulas aos aposentados, jornada de 30 horas semanais, institucionalização do plantão 12x60, hora ficta, plano de capacitação, racionalização adequada dos cargos e implementação do RSC nos termos pactuados originalmente”, detalha Andreza Cunha.
Com a instalação do comando local, a categoria informa que passará a discutir também demandas internas, como dimensionamento de pessoal, organização das jornadas, condições de trabalho e regras de teletrabalho. “Além da pauta nacional, retomaremos demandas locais, como sobrecarga de trabalho, limitações de acesso ao teletrabalho e subdimensionamento de equipes no Hospital de Clínicas”, completa Sarah Sorati.
Segundo o sindicato, o encerramento da greve depende do cumprimento efetivo do acordo e da correção de distorções no PL 6170, além da formalização de garantias sobre plantão, jornada e aplicação do RSC conforme pactuado.
A universidade foi procurada, mas não se manifestou até o fechamento desta matéria. O espaço está aberto à manifestação.
Técnicos-administrativos da UFTM mantêm greve por tempo indeterminado e cobram cumprimento do Acordo 11/2024 (Foto/Divulgação)