De acordo com ele, o estudo foi realizado para desapropriação do terreno. Sem consenso entre as partes, a questão foi tratada na Justiça e ele nomeado perito para avaliação do espaço
Foto/Arquivo
Engenheiro João Eurípedes Sabino realizou perícia no local em virtude de impasse na desapropriação da área e alertou que o local não era adequado
O engenheiro de segurança e civil João Eurípedes Sabino diz que estudo feito por ele há 20 anos já havia previsto problemas com o aterro sanitário de Uberaba. De acordo com ele, o estudo foi realizado para desapropriação do terreno. Sem consenso entre as partes, a questão foi tratada na Justiça e ele nomeado perito para avaliação do espaço.
E neste levantamento constatou que não havia sido feito o relatório de impacto ambiental, e a ausência dele levou à situação atual sobre a contaminação do solo e do lençol freático. “Começaram a implantar o aterro sem que houvesse um documento sobre a análise do meio ambiente e as consequências sobre a agressão. Existem resoluções do Conselho Nacional do Meio Ambiente que determinam que seja feito relatório do impacto ambiental, analisando todos os aspectos que envolvem a implantação de um aterro sanitário. É preciso um estudo geral, que contenha até mesmo a opinião da vizinhança sobre a instalação deste aterro. Se ela não estiver esclarecida, o empreendimento não pode seguir”, diz.
No laudo elaborado pelo engenheiro, no dia 18 de dezembro de 1995, foram feitas previsões do que aconteceria com ausência desta avaliação. “Mesmo com as situações que apontei, a desapropriação foi aprovada, o aterro foi feito sem critério, sem manta de impermeabilização, e isso permite que os resíduos cheguem ao subsolo, o que leva a consequências indesejáveis ao ser humano e até a doenças degenerativas”, explica João Eurípedes Sabino.
O engenheiro explica que pôde comprovar suas previsões no Estudo hidrogeológico realizado no aterro sanitário de Uberaba, que constatou contaminação do lençol freático e do solo por diversos tipos de elementos provenientes de infiltração de afluentes. “Todos os materiais químicos encontrados, até mesmo metais pesados, segundo este estudo, estão acima do permitido pelo Conama”, destaca o engenheiro, lembrando que não é apenas preocupações com o meio ambiente, ou com a saúde, também é um grande transtorno para quem mora próximo, quanto ao mau cheiro gerado.
João Eurípedes destaca ainda que agora deve ser feito um novo estudo, seguindo determinações do Ministério Público, e acredita que o resultado não será diferente do que havia previsto em 1995, e que foi confirmado pelo levantamento feito recentemente.