PRIMEIRA VEZ NA REGIÃO

Hospital Maria Modesto terá tratamento inédito para casos psiquiátricos graves em Uberaba

Eletroconvulsoterapia começa a ser oferecida na unidade para casos de depressão, bipolaridade e esquizofrenia resistentes a medicamentos

Débora Meira
Publicado em 03/04/2026 às 18:22
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O Hospital Maria Modesto, em Uberaba, vai oferecer pela primeira vez na região a eletroconvulsoterapia (ECT), tratamento indicado para pacientes com depressão grave, bipolaridade e esquizofrenia que não respondem a medicamentos convencionais. A iniciativa promete melhorar a qualidade de vida de pacientes e reduzir o impacto social e familiar de doenças psiquiátricas severas. 

O procedimento, conhecido também como convulsoterapia, surgiu na década de 1930 e, apesar do estigma histórico, mantém resultados clínicos muito bons. Segundo o neurocirurgião Marcelo Gomes de Almeida, responsável pelo serviço, a ECT promove alterações nos circuitos cerebrais, reorganizando conexões neuronais e estimulando a produção de neurotransmissores que podem reverter os sintomas de depressão e outras doenças graves.  

“Mesmo pacientes que já tentaram todos os medicamentos disponíveis podem apresentar melhora significativa. Hoje, temos resultados de 80% a 90% de remissão em casos refratários”, explica Marcelo. Ele ressalta que o tratamento não substitui a medicação, mas funciona como complemento, rompendo ciclos de sintomas persistentes e efeitos colaterais indesejados. 

Cada sessão de ECT dura cerca de 10 minutos, incluindo a indução anestésica. Após o procedimento, o paciente permanece em recuperação por 20 a 30 minutos, podendo, na maioria dos casos, retornar para casa no mesmo dia. Pacientes mais graves podem ser internados, mas são exceções. O protocolo inclui avaliação prévia do psiquiatra assistente e acompanhamento contínuo da equipe médica, garantindo segurança e eficácia. 

As sessões ocorrem de duas a três vezes por semana, normalmente em ciclos de seis a oito sessões, até que os sintomas entrem em remissão. O tratamento tem efeito rápido: pacientes com ideação suicida podem apresentar melhora já na primeira ou segunda sessão, reduzindo riscos de autoagressão e complicações graves. 

O médico destaca que a ECT é extremamente segura, com riscos comparáveis aos de anestesia geral de curta duração. O estigma em torno do procedimento, segundo ele, é resultado de aplicações abusivas no passado, quando não havia anestesia adequada e os efeitos eram desconfortáveis. Hoje, com protocolos modernos e monitoramento rigoroso, o tratamento é indolor e eficaz. 

Além de pacientes adultos, a ECT pode ser indicada em situações especiais, como gestantes e puérperas, quando o uso de medicamentos é limitado. O serviço também oferecerá terapias complementares, como a ketamina, voltada para casos graves de depressão, ampliando as opções de tratamento. 

Marcelo explica que a iniciativa é pioneira na região e visa atender a população que não tem acesso fácil a terapias avançadas de neuromodulação. “Nosso objetivo é melhorar não apenas a vida dos pacientes, mas também reduzir a carga familiar e social associada a essas doenças”, afirma. O início do serviço está previsto para o começo do próximo mês, e o Hospital Maria Modesto está estruturado para receber os primeiros pacientes com todo o suporte necessário. 

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