Uma idosa de 86 anos, diagnosticada com Alzheimer e dependente de medicamentos controlados, compareceu à consulta neurológica agendada pela rede municipal de saúde de Uberaba e descobriu somente ao chegar à unidade que não seria atendida porque o médico havia deixado o serviço. Sem a consulta, a paciente ficou também sem a renovação da receita necessária para continuar o tratamento e teve o retorno inicialmente reagendado apenas para janeiro de 2027, prazo que preocupou a família diante da necessidade de acompanhamento semestral da doença.
A aposentada seria atendida no dia 6 de julho, na Unidade Regional de Saúde Terezinha da Graça Girão Carvalho, no bairro Boa Vista. Segundo a filha, a consulta já estava marcada e a família não recebeu qualquer aviso prévio sobre o cancelamento.
"Chegamos lá e fomos informados de que o neurologista não fazia mais parte da Prefeitura. "A consulta simplesmente não aconteceu e marcaram outra somente para janeiro do ano que vem", relatou.
Conforme a família, a idosa realiza consultas com neurologista a cada seis meses para acompanhamento da evolução do Alzheimer e, principalmente, para renovação da receita dos medicamentos controlados utilizados diariamente, sem os quais podem ocorrer o agravamento severo de crises.
Sem a consulta, surgiu a preocupação com a continuidade do tratamento, já que a prescrição médica é indispensável para a retirada dos medicamentos.
Questionada pelo Jornal da Manhã, a Secretaria Municipal de Saúde informou que a paciente será contatada pela equipe da unidade para avaliação da situação, considerando que ela já é acompanhada pela rede municipal.
A pasta ainda explicou que, quando consultas com especialistas são canceladas em razão de exoneração, afastamento ou outro impedimento do profissional, os pacientes são reagendados conforme a disponibilidade da agenda.
Segundo a Secretaria, um neurologista aprovado em concurso público já foi convocado para atuar na rede municipal e a agenda da especialidade está sendo reorganizada para remarcar gradativamente as consultas afetadas pela saída do médico anterior.
Ainda conforme a administração municipal, pacientes que apresentam necessidades específicas passam por avaliação individualizada da equipe assistencial, seguindo critérios técnicos, para garantir a continuidade do tratamento e minimizar prejuízos ao atendimento.
Apesar da resposta, a família afirma que o problema poderia ter sido evitado com um aviso antecipado sobre o cancelamento da consulta e um reagendamento em prazo compatível com a condição clínica da paciente. Para os familiares, a situação expõe a fragilidade do atendimento, quando a ausência de um especialista impede não apenas a consulta, mas também a renovação da receita de medicamentos essenciais para uma doença crônica e degenerativa.