Com a taxa de transmissão cada vez mais alta, a varíola dos macacos foi considerada pela Organização Mundial da Saúde uma emergência de saúde pública de interesse global. À medida em que cresce a preocupação com a doença, que tem o teor de ineditismo, aumenta-se também a disseminação de informações inverídicas, proliferadas em grupos e redes de contato despreparadas. Em entrevista à Rádio JM, nesta sexta-feira (29), o médico infectologista Rodrigo Molina deu luz às dúvidas sobre a Monkeypox e esclareceu os mitos que circulam nas redes sociais. Uma das questões mais lembradas, inclusive, é sobre a relação da doença com a homossexualidade.
Ao contrário do senso comum, a varíola dos macacos não está relacionada diretamente à homossexualidade. Na verdade, como explica Rodrigo Molina, o aumento expressivo dos casos é resultado do contato íntimo das pessoas com múltiplos parceiros, independentemente da orientação sexual.
“Foi identificado primeiramente nesse grupo de homens que fazem sexo com homens pelo número de parcerias. Principalmente na época do verão europeu. Mas já vemos casos, principalmente no Brasil, relacionados a pessoas que tem múltiplas parcerias sexuais, independentemente do sexo. E agora, inclusive, relatado em crianças. Então não é uma doença relacionada só a sexo ou a um grupo específico. É relacionado ao contato. Se um grupo tem mais relações sexuais que outro, vai ser mais acometido”, declarou o médico.
Essa definição chega a ser nociva, na avaliação de Rodrigo. “Ele [o homem que faz sexo com outro homem] fica na berlinda, parece que causa um mal ao mundo. Mas não é isso. É que foi identificado nele primeiro. Não tem relação no grupo em si”, explica.
Em relação à condição de atendimento à doença atual do sistema de saúde de Uberaba, o infectologista afirma ser necessário garantir o preparo do corpo médico e assistencial para que sejam definidas ações de defesa e facilitados os diagnósticos.
“Nós ainda não temos caso relatado em Uberaba, mas temos toda a rede de diagnóstico montada, nas redes privada e pública. A Fundação Ezequiel Dias (Funed) está preparada para receber as amostras. E, claro, para fazer o diagnóstico, temos que testar. O médico tem que solicitar exame específico, muitas vezes fazer biópsia da lesão para levar para Belo Horizonte”, argumenta Rodrigo.