JOÃO PUDIM

João Pudim transforma venda de sobremesas em negócio de família em Uberaba

Aos 14 anos, adolescente começou para comprar uma bicicleta e hoje participa de eventos gastronômicos

Débora Meira
Publicado em 30/08/2026 às 09:05
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(Foto/Reprodução Redes Sociais)

O que começou como uma tentativa de juntar dinheiro para comprar uma bicicleta acabou se transformando em um negócio de família. Aos 14 anos, João Pedro Maiolino Carioca, de Uberaba, encontrou na cozinha uma forma de transformar uma paixão de infância em fonte de renda. Hoje, o adolescente conhecido como João Pudim produz mais de mil unidades por mês, participa de eventos gastronômicos e investe parte do dinheiro arrecadado na produção e nos próprios estudos. Ele será, inclusive, um dos destaques do Festival Gastronômico deste ano.  

A relação de João com a cozinha começou ainda na infância. Segundo a mãe, Indyara Maiolino, entre os seis e oito anos ele já preparava omeletes e demonstrava interesse por comidas diferentes. A sobremesa preferida, porém, sempre foi o pudim. 

Anos depois, João pediu a Roberta, amiga da família, que o ensinasse a preparar a sobremesa. No início, fazia apenas para comer. A primeira venda aconteceu quando a amiga Malu pediu um pudim e se ofereceu para comprar. Depois, outras pessoas começaram a encomendar, principalmente integrantes do grupo de oração frequentado pela família. 

Quando a bicicleta de João quebrou o hobby ganhou um objetivo. Na época, a família não tinha condições de comprar outra e Indyara decidiu ajudar o filho a vender pudins entre os colegas da faculdade que ela frequenta. “Eu não poderia proporcionar aquilo para ele, trocar a bicicleta. Então falei que daria os ingredientes e venderia os pudins para ele na faculdade. E aí a gente compraria essa bicicleta”, explica. 

A estratégia deu resultado. Com o aumento das vendas, João passou a buscar formas de melhorar a receita. Uma amiga da mãe o colocou em contato com Luciana Salomão, confeiteira de Rondonópolis (MT), que passou a orientá-lo à distância e apresentou uma receita de pudim gourmet. 

A partir daí, o adolescente começou a testar ingredientes e sabores até desenvolver as próprias receitas. A mãe também precisou aprender sobre confeitaria para acompanhar o filho. “Eu comecei a estudar sobre pudim porque eu não ensinava, eu não conseguia. Eu literalmente não tenho habilidade. Então eu tinha que estudar sobre temperatura de forno e aí foi indo”, conta Indyara. 

Para além do negócio, a produção dos doces ganhou importância no desenvolvimento pessoal de João. Ele tem TDAH e, segundo a mãe, enfrentou dificuldades na escola desde criança. Na cozinha, encontrou uma atividade pela qual se interessa e na qual consegue manter o foco. “A cozinha é uma forma de autoestima para ele. Hoje ele chega na sala, ele tem autoestima, ele confia no potencial dele. Ele é outra criança depois que realmente o pudim virou o que é”, afirma. 

Segundo Indyara, a atividade deve continuar sendo tratada de forma leve, sem transformar o empreendimento em uma obrigação para o adolescente. “Tem que ser algo leve, sem pressão para ele, que é um adolescente como qualquer outro”, diz. 

O que começou com vendas para conhecidos ganhou proporções maiores. Em outubro de 2025, João chegou a entregar 1.398 pudins, segundo informações divulgadas anteriormente pela família. 

Atualmente, a produção inclui diferentes tamanhos, formatos e sabores, entre eles versões tradicionais, café, chocolate branco com frutas vermelhas, manjar, Romeu e Julieta e figo. A família também trabalha com encomendas para eventos e embalagens para presentes. 

João participa de quermesses, feiras e festivais gastronômicos. Em uma das primeiras competições de que participou, conquistou o terceiro lugar. 

A história também ganhou força nas redes sociais. O perfil @joaopudimuberaba já reúne mais de 7,6 mil seguidores e mais de 260 publicações, com conteúdo sobre os produtos, a produção e a rotina do empreendimento. Segundo Indyara, uma das publicações que ajudaram a impulsionar o negócio ultrapassou 2 milhões de visualizações. 

Com o dinheiro das primeiras vendas, João conseguiu comprar uma bicicleta nova, com ajuda da família para completar o valor. O veículo passou a ser utilizado também nas entregas mais próximas de casa. 

O negócio, porém, cresceu para além da compra da bicicleta. A família investiu em equipamentos e estruturou um espaço próprio para produção. Parte dos recursos também é destinada à formação do adolescente, que já se inscreveu em um curso de culinária e confeitaria em São Paulo. “Eu ajudo, a gente tem um espaço hoje de produção e todo o dinheiro arrecadado é para o investimento tanto dele nos estudos quanto na parte de produção”, explica Indyara. 

A família participa diretamente do empreendimento. A mãe cuida de entregas, pedidos, compras, marketing e organização financeira, enquanto outros familiares também ajudam na produção e nos investimentos. João pretende continuar ampliando a estrutura e já planeja novos sabores, como Fini, Ninho com Nutella, chocolate belga com avelã e pistache. 

O que nasceu da necessidade de conseguir dinheiro para uma bicicleta acabou se tornando uma oportunidade de aprendizado, renda e desenvolvimento para o adolescente. Para a família, o objetivo agora é continuar fazendo o negócio crescer sem deixar de lado a formação e a rotina de João. 

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