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Apesar do recuo do Ministério da Educação (MEC) no contingenciamento de R$ 2,4 bilhões em verbas para universidades e colégios federais, membros do Levante Popular da Juventude em Uberaba acreditam que o desbloqueio seja estratégia política. Além disso, o movimento denuncia a reitoria da Universidade Federal do Triângulo Mineiro (UFTM) por um tratamento desigual entre os campi na Univerdecidade e no bairro Abadia, o que causaria sucateamento do campus que fica localizado próximo ao Parque Tecnológico.
Estudantes se mobilizaram no último sábado (8) em protesto ao bloqueio, mesmo após o pronunciamento do Ministro Victor Godoy. Segundo Matheus Barcelos, membro do Levante, a ação do Ministério é como uma “armadilha”. “Para que a universidade dê uma enxugada nos gastos e depois o Governo vir e colocar de volta esses recursos, sendo que a gente já conseguiu falar para os estudantes se organizarem e trazerem itens de casa. Mas quando a gente conseguiu organizar aquilo, aí ele [o ministério] vai e recua com o corte. Para que não pareça que seja tão maldoso”, explica.
O estudante ainda reforça que o ministro não garante recuo do bloqueio. “No vídeo o ministro não explica quando acontecerá o desbloqueio e nem se a liberação será total ou parcial. Precisamos de um documento oficial ou que esse dinheiro caia de volta na conta”, afirma.
Ainda de acordo com Matheus, apesar de a UFTM alegar que o corte não “impacta nas despesas obrigatórias da instituição, ou seja, não afeta as despesas com aposentadorias, pensões e remunerações de servidores”, falta investimento na unidade.
“A gente já sabe que tem muita coisa que a gente precisa e a universidade não tem. Por exemplo, o campus da Univerde não tem ar condicionado apesar de ter os equipamentos, mas não tem a fiação necessária por causa do corte de verbas. Não tem dinheiro para fazer esse custeio. E aí esse gastos mais primários também, como a manutenção desses equipamentos dos computadores, afeta diretamente nessas coisas mais básicas, nos serviços mais básicos”, afirma o manifestante.
Matheus ainda alega que é visível certos privilégios entre câmpus. “Lá na Univerde a gente consegue ver que essas questões de manutenção não acontecem mais. É um campus que é muito quente, não tem nada ali por perto para se alimentar e moradia, é um campus muito longe e afastado. A gente sabe que é uma realidade de muitos ‘campus’, mas a gente também sabe que tem alguns que são mais privilegiados por conta que uma reitoria golpista e não atende o interesse dos estudantes porque foi empossada pelo Governo Federal, ela não foi votada, não foi eleita e é uma reitoria contra os estudantes e que não vai fazer um discurso contra esses cortes”, relata o estudante.
A reportagem do Jornal da Manhã entrou em contato com a UFTM sobre as denúncias relatadas. Em nota, a universidade informa que ainda não recebeu ainda denúncia oficial sobre os problemas nas unidades. A instituição também informa que em caso de impedimentos estruturais, a Instituição tem sempre abertos todos os canais apropriados para receber da comunidade reclamações, sugestões, além de atender solicitações e oferecer orientações.
Em relação aos equipamentos de ar condicionado, a Prefeitura Universitária da UFTM apresenta as seguintes informações:
“A Unidade Univerdecidade atualmente conta com 451 aparelhos de ar condicionado disponibilizados. Destes, 290 aparelhos estão em pleno funcionamento, que atendem salas de aulas, biblioteca, coordenações, área administrativa, restaurante universitário e alguns laboratórios nas Unidades I e II e Auditório na Unidade III e Herbário. Resta ainda a conclusão do processo de instalação (Instalações elétricas, carga de gás e demais testes) de 161 aparelhos de ar condicionado, sendo 2 aparelhos na Unidade I (Laboratórios de Pesquisa), 47 na Unidade II (Laboratórios e área administrativa) e 112 na Unidade III (Laboratórios de ensino, gabinetes de professores, coordenações e área administrativa). Está prevista até o final de outubro a conclusão do processo de instalação e operacionalização de 23 aparelhos de ar condicionado, dos 161 citados acima. O processo de instalação, bem como manutenções preventivas e corretivas são realizados por empresa terceirizada contratada pela UFTM. O fornecimento de energia para o funcionamento dos equipamentos é executado pela equipe técnica da UFTM. Atualmente, a UFTM (Campus Sede) conta com 4 eletricistas e 3 auxiliares para atender as demandas de manutenção corretiva e preventiva predial, serviços emergenciais, além de novas instalações elétricas em todo Campus Sede. Visando acelerar o atendimento das demandas da referida área de atuação, encontra-se em fase de processo licitatório, nova contratação para aumento do quadro de eletricistas e auxiliares. Sobre os computadores, o Departamento de Tecnologia da Informação - DTI informa que todos os computadores administrativos e acadêmicos de todos os Institutos da UFTM passam periodicamente por manutenções preventivas e corretivas, tanto a nível de hardware quanto a nível de software e todos estão em pleno funcionamento. Inclusive foram substituídos aproximadamente 250 computadores nos últimos 6 meses em todos os Institutos e Departamentos desta Instituição, levando em conta principalmente o caráter técnico. Na Biblioteca Setorial foram disponibilizados 36 computadores para uso acadêmico com todos os softwares necessários, além da substituição de todos os computadores administrativos. Os 286 computadores instalados nos diversos laboratórios de informática destinados ao uso tanto do ICENE quanto do ICTE, localizados nas unidades da Univerdecidade, passaram por manutenções e adequações como a instalação de SSD e Memória RAM, aumentando consideravelmente a performance e vida útil destes equipamentos, além da substituição de 156 computadores nos gabinetes de professores no campus da Univerdecidade. O DTI afirma que a UFTM está em processo de aquisição de computadores para renovação e instalação destes equipamentos em salas de aula para serem usados em projetores”.
A UFTM ainda afirma que tem o compromisso de atender seus setores e a comunidade de forma isonômica, impessoal e com atenção às individualidades quando a demanda assim se apresenta.