Mais de 900 famílias beneficiadas pelo programa em Uberaba e que deveriam atualizar seus cadastros estão com benefício bloqueado
Foto/Neto Talmeli
Vânia Guarato, coordenadora do Núcleo de Assistentes Sociais da Seds, diz que o retorno de operários aos locais de origem pode ter influenciado na redução de femílias recadastradas
Mais de 900 famílias beneficiadas pelo programa Bolsa Família em Uberaba e que deveriam atualizar seus cadastros estão com benefício bloqueado. A Secretaria de Desenvolvimento Social acredita que muitos não moram mais em Uberaba ou estão com a renda familiar acima do permitido no programa.
O município possui cerca de sete mil famílias beneficiadas pelo programa. Destas, o governo federal solicitou a atualização de 2.500, porém nem todas realizaram o procedimento, 1.510 estão com o benefício regularizado e 990 estão em processo de bloqueio. No último levantamento divulgado, em setembro, eram 1.032 famílias que não haviam feito recadastramento. Três meses depois, apenas 42 atualizaram os dados.
“Essa é uma situação diferente, estou no programa há mais de 10 anos e isso nunca aconteceu. Nós fizemos a busca ativa e não conseguimos encontrar estas famílias, por isso acreditamos que boa parte delas tenha retornado ao município de origem, provavelmente devido à crise econômica. A questão de emprego não é mais a mesma coisa, apesar de ainda ter muitas vagas em Uberaba, alguns já retornaram aos seus municípios e não avisam”, explica a coordenadora do Núcleo de Assistência Social, Vânia Guarato.
O outro motivo, segundo Vânia, pode estar ligado à renda familiar, que, provavelmente, de alguns beneficiários, pode ter aumentado, e, como sabem que não é mais compatível, não procuram o poder público. Contudo, a coordenadora lembra que podem, sim, buscar o município, pois existem outros programas que se encaixam na realidade atual da família.
Sobre aqueles que estão com o benefício bloqueado, Vânia explica que demora de dois a três mês para retornar o repasse, pois é preciso passar por análise do governo federal. “E se as famílias não nos procurarem até o mês de janeiro, em fevereiro o benefício será cancelado, e se isso acontecer, são mais de cinco meses para fazermos a reversão, porque o governo precisa fazer uma pesquisa maior”, explica Vânia, lembrando que as atividades realizadas pela Seds, inclusive os Cras, assim como outros setores da Prefeitura, estão de recesso, retornando somente dia 4 de janeiro.