Bloco carnavalesco composto por usuários da Fundação Gregorio Baremblitt desfilou ontem pelas ruas com o tema “Mulheres & Flores”; há nove anos o grupo abre o carnaval de Uberaba
Fundação Gregorio Baremblitt realizou ontem mais uma edição do tradicional desfile do bloco “Maria Boneca”. Além de pessoas assistidas pela instituição e funcionários, a festa contou com a participação de universitários, alunos da Sociedade Uberabense de Proteção e Amparo ao Menor (Supam), da Apae e pessoas da comunidade: todos juntos na luta antimanicomial. Aproximadamente 300 pessoas participaram do evento, percorrendo ruas do bairro Abadia, rumo à praça Rui Barbosa.
O bloco Maria Boneca recebe este nome em homenagem a uma pessoa com sofrimento mental, e este foi o nome dado a uma senhora que andava pelas ruas da cidade carregando várias bonecas no colo, dizendo que eram os filhos dela. Em homenagem a esta mulher, que, apesar de viver com sofrimento mental, teve a opção de não realizar nenhum tratamento, o Caps (Centro de Atenção Psicossocial) recebeu este nome. “Realizamos o desfile há nove anos e cada edição é um sucesso, um momento muito alegre, em que todos se divertem e levamos este mesmo sentimento a toda cidade”, explica a coordenadora da Fundação, psicóloga Maria de Fátima Oliveira.
O tema deste ano foi “Mulheres & Flores”. Diante da proximidade do Dia da Mulher, o grupo levou um sentimento amoroso à população, diante de tanta violência, com a distribuição de flores e cartazes na mão.
O grupo sensibiliza todos quanto à integração na sociedade dessas pessoas que têm algum sofrimento mental. “Levamos esse tema às ruas, mas o desfile, assim como todos os anos, mostra que o deficiente mental é cidadão como qualquer outra pessoa”, explica Fátima, lembrando que, antes de ir para o desfile, os foliões participaram de oficinas preparatórias para o evento, com a confecção de adereços, fantasias e ensaios realizados na Fundação.
O desfile, que começou na sede da Fundação Gregorio Baremblitt, situada na rua Capitão Domingos, nº 418, seguiu em direção à praça Thomaz Ulhoa, passando pela rua Madre Maria José, até a avenida Leopoldino de Oliveira, depois pela rua Segismundo Mendes, rumo à praça Rui Barbosa. No local, continuaram a festa, chamando a atenção de todos que passavam por ali quanto à luta pela inclusão e também distribuindo muito amor com as flores.