A mudança no mercado de trabalho é visível. Comparadas com a década passada, as dinâmicas entre trabalhador e empregador são claramente diferentes, com movimentações mais flexíveis, tecnologia e no campo das relações interpessoais. No entanto, com o cenário atual, em que mais de 10 milhões de brasileiros se encontram desempregados, é de se esperar que as oportunidades sejam acolhidas com mais ímpeto.
A profissional de Recursos Humanos Daniela Sabino explica que esse não é o cenário visto. “As empresas estão com muita dificuldade de encontrar pessoas que atendam às suas demandas. A maior dificuldade é comportamental. Falta interesse, pegar a causa, ter iniciativa, arriscar, ser proativo. As pessoas, na primeira dificuldade, paralisam. Faltam pessoas que pegam a causa e vão até o final. No primeiro sinal de que precisa de maior esforço, desistem”, diz.
Isso se deve à velocidade com que o mercado tem se transformado, exigida pela rapidez com que o mundo se regula aos avanços tecnológicos. As informações, apesar de serem mais facilmente acessadas hoje, são produzidas em grande escala, de forma que se torna cada vez mais difícil de acompanhar.
Essa condição exige profissionais cada vez mais rápidos, ágeis e até mesmo ousados. “O mercado tem se transformado muito mais rápido do que as pessoas. Infelizmente, são poucos profissionais que conseguem acompanhar a velocidade das transformações. A tecnologia, e assim a informação, tornou tudo muito rápido e ágil. As empresas se tornaram mais competitivas e para isto precisam de talentos para sobreviver. Estamos na era da informação, na era do conhecimento. O talento é primordial”, afirma Daniela.
Ainda de acordo com Daniela, as pessoas mais seguras de si avançam, possuem autoconhecimento e propósito. “Estas pessoas enfrentam os problemas e seguem adiante. Os problemas atuais são complexos, incompreensíveis, ansiosos e não lineares. Tem que ter competências comportamentais bem maduras para enfrentar o mundo de hoje. E as pessoas não têm. São poucos”, conta.
O problema afeta todos os setores, da tecnologia à construção civil. Uma empresa de engenharia de Uberaba, por exemplo, vem encontrando dificuldade para preencher vagas desde antes da pandemia. Com a condição pós-pandemia, no entanto, o problema se acentuou.
“Após a pandemia do Covid-19, esse quadro de falta de mão de obra qualificada aumentou. A força de trabalho jovem ainda não atingiu maturidade e qualificação e isso gera escassez no mercado. Os profissionais qualificados ficam mais ousados para negociar melhores salários. Além disso, com o cenário atual da economia, as empresas tendem a priorizar a contratação, muito mais do que a retenção de funcionários, devido à dificuldade no repasse de custos”, explica Paulo Seabra, diretor da empresa e engenheiro civil.
O diretor ainda afirma que encontra como solução a própria empresa atuar como “escola”, ou seja, pareando os menos qualificados com os mais experientes, de forma que ocorra uma troca de ensinamentos. “A mão de obra qualificada está escassa e dificulta a contratação de bons profissionais. Diante deste cenário, contratamos mão de obra parcialmente qualificada e os preparamos colocando para trabalhar com outros pares mais experientes para ajudar em sua formação”, finaliza.