Ao JM, a Codau explica que o contingenciamento do abastecimento de água somente será suspenso após dez dias consecutivos sem fechamento de reservatórios, condição ainda não atingida atualmente
Chuvas recorrentes ainda não conseguiram encerrar o racionamento de água em Uberaba. Em comunicados à imprensa, a Companhia Operacional de Desenvolvimento, Saneamento e Ações Urbanas (Codau) tem sistematicamente informado o fechamento de reservatórios no período noturno, tendo, inclusive, recorrido ao fechamento emergencial no feriado, deixando as torneiras secas mais cedo no dia 31 de dezembro. Questionada pelo Jornal da Manhã, a Codau informou que ainda é cedo para definir se os fechamentos continuarão em janeiro. Em contrapartida, a climatologista Wanda Prata pontua que dezembro foi o mês mais chuvoso de 2025.
“Apesar do monitoramento de todos os indicadores, é impossível prever com exatidão o comportamento do consumo de água tratada pela população. Por isso, trata-se de uma situação imprevisível e de urgência. Não é possível afirmar se a manobra será adotada nos próximos dias, pois a decisão depende diretamente do consumo”, destaca a autarquia, em nota.
A autarquia acrescentou que, apesar das chuvas, o calor intenso e o alto consumo impedem a estabilização dos níveis dos reservatórios, já que os efeitos da seca ainda se refletem nas condições de abastecimento do município. “O Plano de Contingenciamento de Abastecimento de Água somente será suspenso após 10 dias consecutivos sem a necessidade de fechamento dos reservatórios, condição que ainda não foi atingida”, conclui.
Apesar disso, a climatologista Wanda Prata afirmou que dezembro foi o mês mais chuvoso de 2025, com 330 milímetros registrados, acima da média de 254 milímetros. Contudo, a climatologista pondera que a distribuição das chuvas no município ocorre de forma irregular. “As chuvas costumam se formar na região central e seguem em direção à Abadia, passam por Delta, chegam ao Rio Grande e atravessam para o outro lado. Em outros momentos, formam-se no Centro, seguem pela São Benedito, passam pelo aeroporto e avançam para Água Comprida. Já nas regiões oeste e norte da cidade, chove muito pouco; é raro que essas áreas sejam atingidas”, explicou.
Segundo Wanda Prata, esse comportamento está relacionado ao fenômeno conhecido como ilha de calor urbana. “O Centro da cidade, pelo calçamento, dos prédios e da maior concentração urbana, é mais quente e acaba formando uma ilha de calor. Isso favorece a formação das nuvens sobre essa região, fazendo com que as chuvas comecem, quase sempre, pelo Centro. A partir daí, a direção da chuva depende das condições no oceano, se há áreas de baixa ou de alta pressão”, concluiu.
Vale ressaltar que, de acordo com relatório da Agência Nacional de Águas e Saneamento Básico (ANA), a condição de seca se intensificou em 19 estados brasileiros entre os meses de outubro e novembro, avançando para 68% do território nacional. A piora foi registrada em Alagoas, Ceará, Espírito Santo, Goiás, Maranhão, Mato Grosso, Mato Grosso do Sul, Minas Gerais, Pará, Paraíba, Pernambuco, Piauí, Rio de Janeiro, Rio Grande do Norte, Rondônia, Roraima, São Paulo, Sergipe e Tocantins. Em novembro, o Monitor de Secas apontou o Sul com a condição mais branda e o Nordeste com a situação mais severa, incluindo 21% da área em seca extrema. O fenômeno se intensificou no Centro-Oeste, Nordeste e Sudeste, manteve-se estável no Norte e apresentou abrandamento no Sul.