Foto/Bruno Campos
Localizada na avenida Alberto Martins de Fontoura Borges, uma árvore da espécie “neem indiano” foi motivo de comoção na manhã desta segunda-feira (6), em Uberaba. Plantada há cerca de uma década por Agenor Carneiro, de 91 anos, que reside na avenida há mais de sete décadas, a ela foi emitida uma ordem de supressão, o que mobilizou populares que moram nas proximidades do local.
Segundo os uberabenses que manifestaram contra a ordem de retirada da árvore, há a necessidade de que fosse explicado, primeiramente, os motivos pelos quais a supressão foi autorizada e que fosse comprovado, pela pessoa responsável pelo laudo emitido, que a árvore realmente não possui condições de permanecer no local em que está.
“Eu que plantei essa árvore, a “neem indiano”, para servir de repelente e de remédio. Ela serve de sombra também. É uma árvore muito boa, a gente aqui tem apego nela, sabe? Eu não quero que cortem a árvore se não tem motivo mesmo pra isso. Enquanto eu tiver vida, eu quero vê-la aqui”, declarou Agenor.
Com um comércio no local há mais de 2 décadas, Fernando Furtado Guimarães conta que é responsável pelo plantio de mais de dez árvores de espécie própria (Oiti) ao longo da avenida, e tem mobilizado todo o dia não somente populares, como autoridades e imprensa para que atenham-se ao caso do pedido de supressão do “neem indiano”. Fernando alega que se trata de uma árvore sadia.
“Eu espero que esse pedido chegue às autoridades. Eu peço encarecidamente que não cortem o “neem indiano”. É uma árvore que está sadia e não sabemos a razão pela qual ela foi condenada. Eu espero que isso [o pedido da não supressão] chegue à Secretaria do Meio Ambiente e que seja cancelada essa solicitação [de retirada da árvore]. É uma árvore que a gente cuida e que só traz benefícios pra gente aqui”, argumenta Fernando.
Conforme informado pelos moradores, o argumento da bióloga responsável é de que a árvore está comprometida devido a presença de insetos em seu interior, logo, colocando a planta em iminência de queda. Em contrapartida, os populares argumentam que a espécie em questão é repelente, não sendo possível que insetos se proliferem no interior da árvore.
O biólogo da Secretaria de Meio Ambiente (SEMAM), Paulo César Franco, ao Jornal da Manhã, explica que houve um equívoco em relação a ordem de supressão da “neem indiano” e que a árvore não será retirada do local.
“Eu estive pessoalmente no local, fiz a avaliação da árvore e realmente, trata-se de uma árvore completamente saudável. A ordem adequada é para que aconteça com ela [a “neem inidiano”] apenas a poda, não a supressão. Conversei com o senhor Agenor, expliquei para ele toda a situação, para que ele pudesse ficar aliviado. A supressão é referente a outros exemplares que estão na avenida e que estas sim, oferecem risco e precisam ser retiradas”, esclareceu o biólogo.
Além disso, o técnico também explicou que existe uma lei que tange a supressão de árvores, conhecida como “lei da mata atlântica”, onde há um número específico de compensação para cada espécie suprimida, sendo necessária a reposição por uma espécie adequada e equivalente, de preferência no mesmo local e, em casos em que não seja possível, na mesma microbacia. No caso dos exemplares a serem retirados, a lei exige a compensação do plantio de uma nova árvore para cada uma das suprimidas.