CIDADE

Moradores contestam autorização para corte de árvores no Abadia

Secretaria de Meio Ambiente teria emitido laudo em que aponta que as árvores estão doentes e passíveis de supressão, o que é contestado por engenheiro agrônomo

Geórgia Santos
Publicado em 19/04/2018 às 07:26Atualizado em 16/12/2022 às 04:39
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Sandro Neves

Uma das árvores foi cortada no início desta semana e os seus troncos ainda estavam na calçada nesta terça-feira

Corte de árvore na rua Barão da Ponte Alta, no bairro Abadia,  chama a atenção de moradores. Conforme informações repassadas ao Jornal da Manhã, outras árvores existem neste local há muito tempo e, aparentemente não apresentam sinais de que estariam comprometidas, mas também serão suprimidas. Contudo, os cortes possuem autorização da Prefeitura.

Na manhã de ontem (18) era possível avistar alguns troncos de uma das árvores que já haviam sido cortadas, espalhados pela calçada, indicando que as demais também podem ser suprimidas. O Grupo JM repassou a situação à Assessoria de Imprensa da Prefeitura, solicitando explicações e foi confirmada a autorização do corte, mas que não seria feito pelo município.

De acordo com a nota, a Prefeitura diz que não está executando nenhuma supressão de árvore. No ano passado, a Secretaria de Meio Ambiente (Semam) recebeu o pedido para o corte de árvores na rua Barão da Ponte Alta e, após avaliação técnica de biólogos, foi dada permissão. No documento, foi relatado que as árvores estão “com casca inclusa, galhos epicórmicos e fitossanidade comprometida: pontos de necrose com cupins e com podridão no coleto”.

A autorização para supressão foi expedida em dezembro de 2017, com validade de seis meses e o solicitante pode, por conta própria, contratar credenciado para a execução, como é o caso.

Contudo, ainda conforme informações repassadas pela Prefeitura, para emitir a autorização foram determinadas medidas compensatórias, como a reposição de mudas no mesmo local, com espécie compatível, sob orientação da Secretaria. As medidas determinam prazo de plantio, e que após ser realizado, deve ser comunicado à Secretaria. Se não for possível fazer o plantio no local, outro ponto deverá ser indicado pela Semam.

Engenheiro contesta PMU e diz que doenças podem ser controladas

Engenheiro agrônomo e ambientalista José Sidney contesta justificativa da Prefeitura para autorização de supressão e diz que é possível evitar o corte das árvores.

“Diante do que foi dito na autorização, eu contesto e provo que dá para controlar a situação por meio de poda e tratamento fitossanitário sem a necessidade de corte. O problema é que está faltando informação técnica. Não quero desqualificar os servidores da Secretaria, mas é possível sim adotar ações e já fizemos isso em administrações anteriores, sem cortar”, afirma.

Segundo José Sidney, a árvore é de espécie que normalmente neste período do ano, devido ao outono, as folhas caem, o que para alguns se torna um incômodo. “Mas, basta fazer podas na copa, logo depois desse período em que as folhas caem. E caso surjam algumas lagartas, que também é comum nessa espécie no período de renovação das folhas, basta aplicar um produto inseticida natural para o controle. As pessoas reclamam também do surgimento de morcegos, quando a árvore começa a dar os frutos, mas são animais que não causam danos à saúde das pessoas. Enfim, neste caso relatado, a partir das justificativas, existem medidas que podem ser adotadas para não fazer os cortes”, afirma o engenheiro.

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