Sindicato vê risco de demissões e perda de autonomia com novo modelo anunciado pela plataforma aos restaurantes
(Foto/Divulgação)
O iFood comunicou a comerciantes de Uberaba que, a partir de agosto de 2026, a cidade passará a operar exclusivamente com a logística de entregas da própria plataforma. A mudança gerou reação do Sindicato dos Proprietários de Hotéis, Restaurantes, Bares e Similares de Uberaba (Sinhores), que alerta para possíveis impactos no setor de alimentação fora do lar.
Em comunicado enviado aos estabelecimentos parceiros, o iFood informou que Uberaba foi escolhida como cidade-modelo para implantação do novo formato. Segundo a empresa, os restaurantes passarão a contar com a frota especializada da plataforma, com roteirização inteligente, rastreamento em tempo real e suporte durante as entregas.
A empresa afirma ainda que restaurantes que utilizam a logística própria do aplicativo apresentam resultados melhores, com redução no tempo médio de entrega, menor índice de atrasos críticos e avaliação média de 4,89 no aplicativo.
Segundo o comunicado, os estabelecimentos também terão acesso a programas como Entrega Prioritária, Hits e Turbo, além de campanhas exclusivas para ampliar a visibilidade dos negócios dentro da plataforma.
Após o anúncio, o Sinhores Uberaba manifestou preocupação com as novas regras. Para a entidade, a mudança pode afetar principalmente pequenos e médios estabelecimentos que atualmente utilizam entregadores próprios.
Segundo o sindicato, um dos principais pontos de preocupação é a possível redução da autonomia dos empresários na escolha da logística. A entidade afirma que alguns restaurantes possuem equipes próprias de motoboys, com profissionais contratados há anos, e que uma limitação desse modelo pode provocar demissões e redução de renda. “O setor de alimentação sempre defendeu a inovação tecnológica e reconhece a importância das plataformas digitais para o crescimento das vendas. Entretanto, é fundamental que exista equilíbrio na relação comercial. O empresário precisa manter sua liberdade de gestão, podendo decidir qual é a melhor forma de atender seus clientes sem sofrer restrições que prejudiquem sua atividade econômica”, afirma o presidente do Sinhores Uberaba, Fernando Abdalla.
Outro ponto levantado pelo sindicato é o impacto financeiro. A entidade avalia que, caso os pagamentos dos pedidos passem obrigatoriamente pela plataforma antes do repasse aos estabelecimentos, poderá haver dificuldades relacionadas ao fluxo de caixa e à necessidade de capital de giro.
O Sinhores também cita a possibilidade de redução do raio de entrega dos restaurantes e afirma que a mudança pode afetar o volume de vendas e a capacidade de atendimento dos consumidores.
O sindicato afirma ainda que períodos de alta demanda, como dias de chuva, feriados e grandes eventos, podem representar desafios para o novo modelo.
Segundo a entidade, nesses momentos, a quantidade de entregadores disponibilizados pelas plataformas nem sempre acompanha o aumento dos pedidos, o que pode resultar em atrasos, cancelamentos e insatisfação dos clientes.
Para Fernando Abdalla, as mudanças precisam ser debatidas com o setor produtivo. “Essas medidas foram impostas sem possibilidade de negociação, já com data definida de implantação, e podem afetar diretamente a liberdade empresarial, a competitividade das empresas, a geração de empregos e a sustentabilidade financeira dos negócios”, afirma.
O Sinhores informou que continuará acompanhando a implementação das novas regras e que poderá buscar medidas junto a entidades representativas e órgãos competentes caso avalie necessidade.
O Jornal da Manhã entrou em contato com o iFood para solicitar esclarecimentos sobre a mudança anunciada aos comerciantes, os critérios para escolha de Uberaba como cidade-modelo, os impactos apontados pelo sindicato e a possibilidade de manutenção de entregadores próprios pelos estabelecimentos.
Até o fechamento desta matéria, a plataforma não havia enviado posicionamento. O espaço permanece aberto para manifestação.