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Fumaça volta a encobrir Uberaba antes do amanhecer pelo segundo dia seguido

Camada densa reduziu a visibilidade nas primeiras horas desta sexta-feira; satélites apontam focos de calor ao nordeste da cidade, enquanto Bombeiros informam que não houve ocorrência nesta manhã

Larissa Prata
Publicado em 10/07/2026 às 07:03
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Fumaça em Uberaba (Foto/Leitor JM)

Fumaça em Uberaba (Foto/Leitor JM)

Uberaba voltou a amanhecer encoberta por uma densa camada de fumaça nesta sexta-feira (10), pelo segundo dia consecutivo. Antes mesmo das 6h, moradores já registravam baixa visibilidade em diferentes pontos da cidade, com a iluminação pública atravessando o ar carregado.

O Corpo de Bombeiros informou à reportagem que não houve registro de ocorrência de incêndio em Uberaba nesta manhã. Segundo a corporação, na noite de quinta-feira (9), por volta das 23h, uma ocorrência às margens da BR-262 foi atendida pela concessionária Way Brasil, que solicitou apoio ao Pelotão do Corpo de Bombeiros de Sacramento.

Paralelamente, consulta da reportagem à plataforma pública NASA FIRMS, que reúne detecções de anomalias térmicas feitas por satélite, identificou uma concentração de focos de calor na zona rural ao nordeste de Uberaba, em direção a Nova Ponte. Os pontos aparecem nas coordenadas aproximadas de latitude -19.653 e longitude -47.582, em uma região marcada por propriedades agrícolas e lavouras irrigadas.

O monitoramento dos ventos nesta manhã indicava circulação predominante partindo do quadrante nordeste em direção à região de Uberaba, condição que pode favorecer o transporte de fumaça. Os dados, entretanto, não permitem afirmar de forma definitiva que os focos detectados sejam a origem da camada observada sobre a cidade.

Os pontos vermelhos exibidos pelo FIRMS representam áreas em que o satélite identificou calor acima do padrão ao redor. A indicação não corresponde necessariamente ao tamanho exato de um incêndio nem confirma, de forma isolada, a ocorrência de fogo em toda a extensão marcada no mapa.

O novo episódio ocorre menos de 24 horas depois de ouvintes da Rádio JM relatarem sensação de sufocamento nas avenidas Guilherme Ferreira e Doutor Fidélis Reis, além de regiões como o bairro Nossa Senhora do Desterro. Na quinta-feira (9), a fumaça já havia chamado a atenção em diferentes partes do município e acendido um alerta para os cuidados com a saúde respiratória.

Fumaça em Uberaba (Foto/Leitor JM)

Fumaça em Uberaba (Foto/Leitor JM)

Consulta feita pela reportagem ao IQAir mostrava, às 3h desta sexta-feira, índice de qualidade do ar de 58 AQI em Uberaba, nível classificado como moderado. O principal poluente indicado era o PM2.5, com concentração de 12,9 microgramas por metro cúbico.

O valor se manteve praticamente igual ao registrado na manhã de quinta-feira, quando o índice também estava em 58. A previsão horária da plataforma apontava que a qualidade do ar permaneceria na faixa moderada durante toda a manhã e poderia alcançar 60 AQI entre o meio-dia e a tarde.

Segundo o IQAir, a concentração de PM2.5 registrada em Uberaba correspondia a 2,6 vezes o valor da diretriz anual estabelecida pela Organização Mundial da Saúde. A plataforma ressalta, entretanto, que os dados disponíveis para o município são estimados a partir de um modelo derivado de informações de satélite, e não de uma estação física instalada na cidade.

O mapa regional de poluição apresentado pelo sistema também mostrava áreas com diferentes níveis de concentração de poluentes em parte do território brasileiro. A visualização oferece um panorama mais amplo da qualidade do ar, mas, isoladamente, não permite determinar a origem da fumaça observada em Uberaba.

O PM2.5 é composto por partículas com diâmetro igual ou inferior a 2,5 micrômetros. Por serem extremamente pequenas, elas conseguem alcançar regiões profundas do sistema respiratório e podem agravar quadros de asma, bronquite e outras doenças respiratórias, além de aumentar o desconforto entre pessoas mais sensíveis.

Enquanto a fumaça permanecer sobre a cidade, a recomendação é evitar atividades físicas intensas ao ar livre, reduzir o tempo de exposição, manter a hidratação e redobrar a atenção com crianças, idosos, gestantes e pessoas que já apresentam doenças respiratórias.

Falta de ar, chiado no peito, tosse persistente, tontura ou agravamento dos sintomas exigem avaliação em um serviço de saúde.

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