Categoria relata falta de pagamento e condições precárias; Prefeitura e cooperativa garantem manutenção do serviço
O transporte escolar rural é realizado pela Ubervan, por meio de contrato emergencial, firmado há mais de um ano (Foto/Arquivo)
Motoristas do transporte escolar rural ameaçam paralisação do serviço em Uberaba alegando atrasos nos pagamentos, cortes na quilometragem e falta de condições de trabalho. Ao Jornal da Manhã, no entanto, tanto a Ubervan quanto a Secretaria Municipal de Educação afirmam que o serviço será mantido.
Em carta aberta encaminhada à imprensa, à Prefeitura e à Ubervan, que é cooperativa responsável pelo serviço, os profissionais afirmam que ainda não receberam pelos serviços prestados em fevereiro. Eles também relatam dificuldades estruturais durante a jornada, como ausência de locais adequados para alimentação e descanso, permanência contínua dentro dos veículos ao longo do dia e falta de reembolso de pedágios em determinadas rotas.
Segundo a categoria, a decisão pela paralisação ocorre após tentativas de diálogo sem avanço e diante do acúmulo de problemas que, segundo os motoristas, comprometem as condições de trabalho e a continuidade do serviço prestado aos estudantes da zona rural.
Procurado pela reportagem, o presidente da Ubervan, Paulo Henrique Lima, afirmou que parte das reivindicações procede, mas que as demandas já foram formalizadas junto ao Município. Segundo ele, um ofício foi encaminhado há cerca de 30 dias, sem retorno até o momento.
Lima explicou que os atrasos nos pagamentos estão relacionados a etapas de conferência dos boletins de serviço e à validação das rotas, que envolvem análise da cooperativa e do município. Ele também afirmou que há casos em que divergências de rastreamento impactaram os registros, mas que o serviço pode ser comprovado por outros meios. “Em alguns casos, houve falha de rastreador, mas temos como comprovar que o serviço foi prestado”, disse.
O presidente também destacou que a própria cooperativa solicitou melhorias nas condições de trabalho, como acesso a banheiros, espaços para alimentação e autorização para retorno à cidade durante o dia. Apesar disso, afirmou que não há confirmação de adesão ampla a uma possível paralisação. “Acredito que possa ser um grupo menor de cooperados”, disse.
O cenário ocorre em meio à instabilidade do transporte escolar rural no município, que envolve a empresa Gathi Gestão. O contrato da empresa foi suspenso após investigações sobre suspeitas de fraude na licitação e, apesar de decisão judicial posterior que restabeleceu a medida de forma provisória, o serviço não foi retomado pela empresa, permanecendo sob operação da Ubervan.
Em nota, a Secretaria Municipal de Educação (Semed) informou que recebeu, na manhã desta quarta-feira (15), o presidente da Ubervan e garantiu que nenhum aluno será prejudicado, com o contrato de transporte escolar sendo cumprido integralmente.
Segundo a pasta, a responsabilidade pela organização logística do trabalho dos cooperados é da própria cooperativa, de forma a garantir a continuidade do serviço. A Semed afirmou ainda que o presidente da Ubervan segue sendo atendido de prontidão em todas as demandas pertinentes e que o município atua para assegurar a regularidade do transporte e a proteção dos direitos dos estudantes da zona rural.
O órgão também afirmou que a paralisação anunciada não encontra amparo legal. De acordo com a Secretaria, por se tratar de uma cooperativa, não haveria vínculo empregatício entre a Ubervan e seus cooperados, o que afastaria a possibilidade de enquadramento como greve. A Semed acrescenta ainda que eventual suspensão das atividades poderia configurar lockout, prática vedada pela legislação.