
Diante desse histórico, a proposta é ampliar o alcance das políticas públicas com apoio do terceiro setor e fortalecimento dos serviços socioassistenciais (Foto/Divulgação)
Está marcada para o dia 7 de abril capacitação de profissionais que atuarão em novo plano de enfrentamento à exploração do trabalho infantil em Uberaba. A ação terá parceria com a Secretaria de Estado de Desenvolvimento Social (Sedese-MG) e visa minimizar a presença de crianças e adolescentes em semáforos. Em entrevista ao Pingo do J, o secretário municipal de Desenvolvimento Social, Ernani Neri, explicou que a iniciativa está relacionada à adesão de Uberaba ao Programa de Erradicação do Trabalho Infantil, do Governo Federal, e conta com cerca de R$ 33 mil destinados ao desenvolvimento das medidas no município.
Segundo o secretário, a estratégia envolve atuação integrada e já parte de um mapeamento dos pontos considerados críticos na cidade. “A gente já tem mapeados alguns semáforos e vai fazer ações importantes junto com o terceiro setor”, afirma. A proposta inclui abordagens nas ruas, além de ações nas escolas, nos Centros de Referência de Assistência Social (CRAS) e junto às famílias.
Ernani destaca que, em muitos casos, o trabalho infantil está diretamente ligado à vulnerabilidade social. “Muitas dessas crianças não estão sendo exploradas por alguém, mas existe uma exploração indireta. Elas vão para o semáforo para ajudar no sustento da família”, disse.
O secretário relatou ainda situações vivenciadas durante abordagens. “Já parei uma criança em horário de aula. Ela disse: ‘quem vai ajudar minha mãe?’. Ou seja, o recurso que a família tem é insuficiente”, conta. Para ele, o enfrentamento exige uma rede de proteção estruturada.
O cenário não é recente. Em 2023, dados da própria Secretaria de Desenvolvimento Social apontavam que ao menos 13 adolescentes em situação de risco foram atendidos pelo Serviço Especializado em Abordagem Social, com registros em avenidas como Santos Dumont, Leopoldino de Oliveira e José Valim de Melo.
Já em 2024, o Conselho Tutelar reforçou a necessidade de ações contínuas, destacando que muitos casos envolvem crianças que frequentam os semáforos para contribuir com a renda familiar ou por falta de acompanhamento adequado. O órgão também alertou para riscos associados à evasão escolar, exposição à violência e uso de drogas.
Diante desse histórico, a proposta é ampliar o alcance das políticas públicas com apoio do terceiro setor e fortalecimento dos serviços socioassistenciais. A Prefeitura também aposta em editais para financiamento de projetos sociais voltados ao atendimento de famílias em situação de vulnerabilidade.
A expectativa é que, após a capacitação prevista para abril, as ações sejam executadas de forma contínua ao longo de 2026, com foco não apenas na retirada de crianças dos semáforos, mas no acompanhamento das famílias e na redução das situações de risco no município.