Setor aponta demora de até seis meses e defende maior diálogo com a Prefeitura para destravar investimentos
Segundo Amui, a demora compromete a viabilidade econômica dos empreendimentos, sobretudo em um cenário de juros elevados (Foto/Reprodução/Redes Sociais)
O engenheiro Pedro Henrique Araújo Amui assume a presidência do Sindicato da Indústria da Construção Civil (Sinduscon) de Uberaba com a proposta de intensificar o diálogo com o poder público e enfrentar entraves que, segundo o setor, travam investimentos na cidade.
À frente de uma entidade que reúne cerca de 100 associados e completa 38 anos de atuação, Amui defende maior protagonismo do sindicato nas discussões urbanísticas. “O sindicato participa de debates importantes, como Plano Diretor, parcelamento do solo e políticas públicas. Nosso papel é representar os interesses do setor e contribuir para o crescimento da cidade”, afirma.
Entre as prioridades da nova gestão está a aproximação com a Prefeitura para tratar diretamente das demandas da construção civil. A principal queixa dos empresários é o tempo de tramitação de projetos. Hoje, propostas mais simples podem ser analisadas em até um mês, enquanto empreendimentos de maior porte levam de três a seis meses — ou mais. “Já tivemos casos de projetos que demoraram seis meses para aprovação. Em loteamentos, as diretrizes podem levar anos. Isso impacta diretamente o setor”, diz.
Segundo Amui, a demora compromete a viabilidade econômica dos empreendimentos, sobretudo em um cenário de juros elevados. “Cada mês de atraso impacta o retorno do investidor. Quanto mais ágil for o processo, melhores serão os resultados para o setor e para o município”, pontua.
A expectativa é que a digitalização da aprovação de projetos, prevista para começar no fim de março, reduza esse tempo. A medida é considerada uma demanda antiga do setor e deve modernizar a análise técnica na administração pública.
Ainda assim, o presidente do Sinduscon avalia que a mudança precisa ir além da tecnologia e incorporar uma visão econômica nas decisões. “Hoje o processo é muito técnico, mas é preciso entender que a construção civil é uma atividade que gera emprego, renda e arrecadação. Quando ela vai bem, o município também cresce”, afirma.
Ele destaca que tributos como ISS, ITBI e IPTU estão diretamente ligados ao desempenho do setor, o que reforça a necessidade de políticas que incentivem a atividade. “A ideia é trabalhar em parceria com o poder público para garantir mais eficiência, menos burocracia e melhores condições para que a construção civil continue contribuindo com o desenvolvimento de Uberaba”, conclui.