Desde a última quinta-feira entrou em vigor a medida que obriga todos os veículos em circulação no país a portarem um novo tipo de extintor
Desde a última quinta-feira, dia 1º, entrou em vigor a medida que obriga todos os veículos em circulação no país a portarem um novo tipo de extintor de incêndio, chamado ABC. O equipamento é capaz de apagar incêndios de uma variedade maior de materiais. Porém, o recesso de fim de ano adotado pelas fábricas de extintores deixou o mercado uberabense sem o novo modelo. Pelo menos cerca de um quarto de toda a frota de veículos do município pode circular nos próximos dias sem o novo extintor, em razão do problema.
Segundo o vendedor de uma loja de peças para carros em Uberaba, Jefferson Gotti, a procura pelo acessório veicular tem sido grande, mas nenhuma loja da cidade tem o extintor em estoque para atender a grande demanda. Ele lembrou que a medida é antiga. Trata-se de decisão presente na Resolução nº 333 do Contran, o Conselho Nacional de Trânsito, de 6 de novembro de 2009. No entanto, ele também destacou que nos anos anteriores não houve procura, porque a população continua com o mesmo costume de deixar para regularizar a situação na última hora. O vendedor afirmou ainda que as fábricas entraram em recesso neste fim de ano e as lojas que possuíam estoque na cidade já venderam todos os produtos.
O empresário do setor de autopeças e presidente da CDL Uberaba, Miguel Faria, avaliou que, embora o anúncio de entrada em vigor tenha sido feito do meio de 2014, as fábricas também não se prepararam para a demanda e não conseguiram entregar todo o volume necessário. “Nós pedimos um número de extintores e recebemos um volume muito aquém do que havíamos pedido. Para se ter uma noção, nas últimas segunda (29) e terça-feira (30), nós vendemos cerca de 200 extintores. Ou seja, o que costumamos vender em dois meses foi o que vendemos em apenas dois dias. Agora, as fábricas só vão voltar do recesso na semana que vem. Na próxima segunda-feira, dia 5. Pela lei, se a blitz pára uma pessoa por falta do extintor, o motorista tem um tempo para comprar um extintor e poder pegar o carro, só que agora a pessoa não tem onde buscar o produto”, informou.
Procurado pela reportagem do Jornal da Manhã, o comandante da 5ª Região de Polícia Militar de Minas Gerais, em Uberaba, coronel Laércio dos Reis Gomes, afirmou que já tem conhecimento da situação. “Pelo menos a Polícia Militar, considerando a Polícia Rodoviária Militar e o Pelotão de Trânsito da cidade, vai adotar uma tolerância, não fiscalizando por uns 15 dias. A medida é necessária. Seria injusto [cobrar o extintor], porque não há o extintor no mercado para que o consumidor possa comprar”, afirmou.
Para quem ainda não adquiriu o seu extintor, a recomendação é ficar atento ao mercado, segundo Miguel Faria. Além disso, o consumidor também precisa ter em mente a diferença de preço. Enquanto o extintor antigo, que deveria ser trocado uma vez por ano, custava R$20,00, o extintor ABC custa em média R$67,00. Para o empresário, além de ele ser mais eficiente que o produto antigo, tem validade por cinco anos.