CIDADE

Os 112 anos de Chico Xavier: legado e continuidade

Letícia Marra
aleticiamarra@gmail.com
Publicado em 02/04/2022 às 08:27Atualizado em 18/12/2022 às 23:13
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Francisco Cândido Xavier alcançou o prestígio como Chico Xavier, uma das personalidades mais queridas no Brasil. O médium ganhou notoriedade internacional e nacional com a divulgação e propagação da doutrina Espírita e das grandes obras assistenciais que realizou. Considerado um dos maiores escritores do país, Chico publicou mais de 450 obras, das quais todos os direitos autorais, dos mais de 50 milhões de exemplares vendidos, foram destinados às obras de caridade que realizava.

Nascido em 2 de abril de 1910, na cidade de Pedro Leopoldo, Minas Gerais, Francisco Cândido Xavier já via e ouvia os espíritas desde os quatro anos de idade. Filho do operário João Cândido Xavier e da lavadeira Maria João de Deus, ficou órfão de mãe com apenas cinco anos de idade. Seu pai se viu obrigado a entregar alguns dos seus nove filhos aos cuidados de pessoas amigas e Chico ficou aos cuidados de sua madrinha, mulher nervosa que o maltratava cruelmente.

“Filho de um lar muito pobre, órfão de mãe aos cinco anos, tenho experimentado toda a classe de aborrecimentos na vida e não venho ao campo da publicidade para fazer um nome, porque a dor há muito já me convenceu da inutilidade das bagatelas que são ainda tão estimadas neste mundo.“ Palavras de Chico Xavier, no seu primeiro livro “Parnaso de Além-Túmulo”

Na infância, por diversas vezes, Chico ouvia sua falecida mãe dizer que enviaria um anjo para reunir toda a família. Pouco tempo depois, a segunda esposa de seu pai reuniu todos os irmãos e ainda teve mais cinco filhos.

Ainda quando criança, ele passou a ter sonhos e durante a noite se levantava agitado e conversava com os espíritos. O pai resolveu levá-lo ao Vigário de Matozinhos que, depois de ouvi-lo, recomendou que o garoto não lesse mais jornais, revistas e livros. Disse-lhe que ninguém volta depois da morte.

Ao conversar com o espírito da mãe, triste por não ser compreendido por ninguém, Chico escutou dela que precisava modificar seus pensamentos, que não deveria ser uma criança indisciplinada, para não ganhar antipatia dos outros. Deveria aprender a se calar e que, quando se lembrasse de alguma lição ou experiência recebida em sonho, que a seguisse.

Disse-lhe que ele precisava aprender a obediência para que Deus um dia lhe concedesse a confiança dos outros. Durante sete anos consecutivos, de 1920 a 1927, ele não teve mais qualquer contato com sua mãe.

Educado na fé católica, a primeira e única professora de Chico que descobriu sua mediunidade psicográfica foi D. Rosália, que fazia passeios campestres com os alunos e no dia seguinte deveriam levar uma redação descrevendo o passeio. As de Chico tiravam sempre o primeiro lugar.

No dia 7 de maio de 1927, uma de suas irmãs ficou doente e um casal de espíritas se reuniu com a família, em Pedro Leopoldo, para realizar a primeira sessão espírita. Na mesa, estavam dois livros: "O Evangelho Segundo o Espiritismo" e o "O Livro dos Espíritos", de Allan Kardec. Chico ouviu da mãe: "Meu filho, eis que estamos juntos novamente. Os livros à nossa frente são dois tesouros de luz. Estude-os, cumpra com seus deveres e em breve a bondade divina nos permitirá mostrar a você seus novos caminhos".

Em junho do mesmo ano, foi cogitada a fundação de um núcleo doutrinário. No ano de 1927, o Centro Espírita Luiz Gonzaga, sediado na residência de João Cândido Xavier, que se fez presidente da instituição, já estava formado e era bem frequentado. Em 8 de julho de 1927, Chico Xavier fez a primeira atuação do serviço mediúnico, em público.

Seu primeiro livro psicografado, “Parnaso de Além-Túmulo”, que reúne 256 poemas, atribuídos a poetas mortos, foi publicado em julho de 1932.

“E até aqui, julgo que os meus atos perante a sociedade da minha terra são expressões do pensamento de uma alma sincera e leal, que acima de tudo ama a verdade; e creio mesmo que todos os que me conhecem podem dar testemunho da minha vida repleta de árduas dificuldades, e mesmo de sofrimentos.“ Palavras de Chico Xavier, no seu primeiro livro “Parnaso de Além-Túmulo”

Mudança para Uberaba

Sob a orientação dos Benfeitores Espirituais, no dia 5 de janeiro de 1959, Chico Xavier se mudou para Uberaba, iniciando nessa mesma data as atividades mediúnicas, em reunião pública da “Comunhão Espírita Cristã”.

Nessa época, teve início a famosa peregrinação. Aos sábados, saindo da "Comunhão Espírita-Cristã", o médium visitava alguns lares carentes levando-lhes a alegria de sua presença amiga, acompanhado por um grande número de pessoas. A cidade de Uberaba se transformou em um pólo de atração de inúmeros visitantes das mais variadas regiões do Brasil, e até mesmo do exterior.

Chico psicografou 451 livros, que reproduziam o que os espíritos lhe transmitiam. Seus livros foram traduzidos para vários países. Psicografou várias cartas de mortos para suas famílias. Os direitos autorais de suas obras eram cedidos gratuitamente às editoras espíritas e, desde os anos 70, Chico ajudava as pessoas necessitadas.

Chico Xavier faleceu em Uberaba, Minas Gerais, no dia 30 de junho de 2002, após sofrer uma parada cardíaca. Foi encontrado no quarto por seu filho adotivo.

Memorial Chico Xavier

O Memorial Chico Xavier, localizado no Parque das Américas, em Uberaba, foi aberto ao público em 2016. O local está integrado à Mata da Paz, e é um espaço que visa promover a reflexão e valorização das relações humanas por meio da salvaguarda e comunicação dos valores universais de amor, respeito, diálogo e solidariedade, vivenciados na trajetória e no legado de Chico Xavier.

Atualmente, está fechado para revitalização. A previsão de reabertura do novo Memorial é para o ano de 2023.

No projeto de reforma, há a adequação e modernização de todos os espaços, exposições interativas, incorporação do Parque da Mata do Carrinho, contrapartidas sociais com ações educativas e acessibilidade para pessoas com deficiência.

Atualmente, o Memorial está em busca de parceiros pessoas físicas e jurídicas. O projeto, aprovado pela Lei de Incentivo à Cultura, possibilita a captação de recursos a serem abatidos no Imposto de Renda na forma de doações ou patrocínios por pessoas físicas e jurídicas.

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