Apesar dos questionamentos do JM, Prefeitura não informou como ficam os professores das turmas encerradas
(Foto/Reprodução)
Pais de alunos da Escola Municipal Cívico-Militar Professor José Geraldo Guimarães, no bairro Pacaembu, em Uberaba, questionam a transferência das turmas de 6º ano para a rede estadual a partir de 2027. A reportagem do Jornal da Manhã foi procurada por responsáveis preocupados com a continuidade dos estudos dos filhos, a disponibilidade de vagas e a falta de informações sobre o remanejamento. Após ser questionada pelo JM, a Prefeitura divulgou um comunicado à imprensa confirmando a mudança em três escolas municipais.
Um pai relatou ao JM que soube da mudança por meio da filha, que cursa o 5º ano na unidade. Segundo ele, a informação repassada às famílias é de que as escolas municipais deixariam de oferecer gradativamente os anos finais do Ensino Fundamental, mantendo o atendimento da educação infantil ao 5º ano. “Fui informado na data de hoje (ontem), pela minha filha que cursa o quinto ano do ensino fundamental na escola José Geraldo Guimarães, no bairro Pacaembu, que as escolas municipais vão tirar o sexto ano, e só agora estão avisando”, afirma.
O pai também demonstrou preocupação com a capacidade da rede estadual de receber os estudantes e relatou que a escola tem cinco turmas de 5º ano. Segundo ele, ao acessar o sistema de rematrícula do município, não encontrou disponibilidade para o 6º ano. “Mas como o Estado de Minas Gerais vai absorver tantos alunos oriundos de outras escolas municipais?”, questiona.
A possibilidade de transferência também preocupa famílias que moram em bairros com poucas opções de escolas próximas. O responsável afirmou que a comunicação sobre a mudança ocorreu no fim do ano letivo, o que, na avaliação dele, dificulta a organização das famílias para 2027.
Em comunicado enviado à imprensa, a Secretaria Municipal de Educação (Semed) informou que construiu, em conjunto com a Superintendência Regional de Ensino (SRE) de Uberaba, um planejamento para ampliar a oferta de vagas nos anos iniciais do Ensino Fundamental a partir de 2027.
Conforme o comunicado, as turmas de 6º ano das escolas municipais Stella Chaves (Alfredo Freire), Professor José Geraldo Guimarães (Guanabara) e Monteiro Lobato (Recreio dos Bandeirantes) serão atendidas, respectivamente, pelas escolas estaduais Henrique Kruger (Alfredo Freire), Francisco Cândido Xavier (Beija Flor 3) e Aurélio Luiz da Costa (Jardim Induberaba).
Segundo a Prefeitura, o espaço físico liberado nas unidades municipais será utilizado para abrir novas turmas do 1º ao 4º ano, diante da demanda reprimida por vagas nessas etapas.
Na Escola Municipal Stella Chaves, estão previstas 265 novas vagas: 180 para o 1º ano, 30 para o 2º, 25 para o 3º e 30 para o 4º ano. Na Escola Municipal Cívico-Militar Professor José Geraldo Guimarães, a previsão é de 90 novas vagas. Para a Escola Municipal Monteiro Lobato, o comunicado informa que haverá ampliação da oferta nos anos iniciais, mas não detalha a quantidade.
A secretária municipal de Educação, Juliana Petek, afirmou que a proposta foi construída em conjunto com a Superintendência Regional de Ensino. “Construímos a proposta junto com a Superintendência, que esteve conosco do início ao fim, para que cada estudante tenha acesso e permanência garantidos, no município ou no Estado”, declara.
No comunicado, a Semed afirma que a reorganização é pontual e restrita às três escolas mencionadas. A administração nega que exista planejamento para encerrar a oferta do Ensino Fundamental II em toda a rede municipal.
Segundo a Prefeitura, a medida considera a necessidade de ampliar o atendimento nos anos iniciais dentro da estrutura física disponível nas unidades. O diretor de Ensino da Semed, Gustavo Vaz, afirmou que o planejamento respeitou os prazos internos das redes municipal e estadual. “A medida não tem como objetivo privar nenhum aluno do direito à educação. Ela amplia o acesso e a permanência das crianças na escola e corrige distorções de fluxo onde a necessidade é maior”, afirma.
A administração também informou que as escolas estaduais que receberão os estudantes estão passando por preparação estrutural e administrativa, incluindo reformas, pintura e adequação dos ambientes. De acordo com o comunicado, as vagas destinadas aos alunos remanejados para o ano letivo de 2027 já estão garantidas, e as unidades estaduais estão disponíveis para confirmação pelos responsáveis.
Além de solicitar esclarecimentos sobre quais escolas seriam afetadas e qual seria o cronograma da mudança, o Jornal da Manhã questionou a Prefeitura sobre os professores que atuam nas turmas afetadas, incluindo a possibilidade de remanejamento para outras unidades ou reorganização das funções. Contudo, não obteve resposta.