CIDADE

Para infectologista, vacina contra a dengue traz grande esperança

A primeira vacina contra a dengue no Brasil foi liberada pela Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa), que publicou a aprovação

Letícia Morais
Publicado em 31/12/2015 às 08:33Atualizado em 16/12/2022 às 20:41
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Foto/Arquivo

Infectologista Rodrigo MOlina diz que é uma grande esperança por ser a prim eira a combater os quatro sorotipos da doença

A primeira vacina contra a dengue no Brasil foi liberada pela Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa), que publicou a aprovação do registro no Diário Oficial da União na segunda-feira (28). De acordo com a Resolução – RDC nº 55, de 16 de dezembro de 2010 –, a Dengvaxia® foi registrada como produto biológico novo. O seu registro permite que a vacina seja utilizada no combate à dengue, mas vale destacar que o imunizante não protege contra os vírus chikungunya e zika. Para infectologista ouvido pelo Jornal da Manhã, a vacina traz grande esperança no combate à dengue.

O Ministério da Saúde afirmou que a vacina apresentou uma eficácia global em relação à dengue confirmada contra qualquer sorotipo da doença de 65,6% na população acima de nove anos de idade. Nesta parcela, a eficácia foi de 58,4% contra o sorotipo 1, ainda 47,1% contra o sorotipo 2, com 73,6% contra o sorotipo 3 e de 83,2% contra o sorotipo 4.

Na avaliação do infectologista Rodrigo Molina, a vacina vem como uma grande esperança por ser a primeira a combater os quatro sorotipos da doença, além de ter aplicabilidade em pessoas de 9 a 45 anos. “Apesar de não ter uma alta eficácia como se esperaria de uma vacina, a Dengvaxia será muito importante porque mesmo assim conseguirá prevenir uma série de internações, além de inúmeros casos graves que ainda acometem a população. Tudo isso tendo em vista os números exorbitantes de dengue a cada ano”, explicou.

Apesar da liberação do registro, a vacina ainda não está disponível no mercado. A Câmara de Regulação do Mercado de Medicamentos precisa definir o valor de cada dose, processo que dura em média três meses, mas que não tem prazo máximo, segundo a Agência Brasil. Por ano, o laboratório é capaz de produzir 100 milhões de doses da vacina, produção necessária para imunizar quase metade da população brasileira.

A Comissão Nacional de Incorporação de Tecnologias no Sistema Único de Saúde (SUS) também vai avaliar a possibilidade de agregar o produto ao sistema público de imunizações. Serão avaliados pelo governo os custos, a efetividade e os impactos epidemiológico e orçamentário do ingresso da vacina ao SUS. Por isso, em um primeiro momento, o medicamento deve começar a ser comercializado na rede particular do país já no primeiro semestre de 2016.

Eficácia. A vacina deve ser aplicada em três doses, com intervalos de seis meses. De acordo com a diretora médica da empresa farmacêutica, o produto protege quase 70% das pessoas já a partir da primeira dose. A Sanofi afirmou que o medicamento reduziu as contaminações por dengue em dois terços dos participantes analisados e evitou oito de dez hospitalizações em decorrência da doença e até 93% dos casos de dengue mais severa. A empresa farmacêutica apresentou os documentos em março de 2015 e, desde então, estiveram em análise pela Anvisa.

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