CIDADE

Para sociólogo, greves fazem parte de processo histórico do capitalismo

Constituição de 1988 permite que trabalhador de qualquer setor entre em greve para reivindicar melhores condições de trabalho

Thassiana Macedo
Publicado em 09/10/2011 às 16:56Atualizado em 19/12/2022 às 21:55
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A Constituição Federal de 1988 permite que trabalhadores de qualquer setor produtivo entrem em greve para reivindicar melhores condições de trabalho, embora tenham que garantir o atendimento mínimo à população em cada setor. No entanto, o ano de 2011 parece sofrer um fenômeno atípico, momento de crise econômica mundial iniciada em 2006. Pelo país, greve dos professores estaduais, dos trabalhadores dos Correios, dos bancários, do setor de segurança e Uberaba segue a mesma tendência, incluindo a greve dos funcionários do Codau.

De acordo com o professor da disciplina de Trabalho e Sociabilidade da UFTM, o sociólogo Fábio Fonseca, movimentos de greve fazem parte do processo histórico de constituição de um modo de produção chamado capitalismo, em que a base está fixada na relação capital e trabalho. À medida que as organizações sociais são fundamentadas em relações, cujos interesses de trabalhadores e patrões são distantes, os movimentos de greve eclodem. “O que a população precisa analisar com cuidado é que qualquer movimento de greve não é simples. Existe o mito de que elas são políticas. Fazer greve exige mobilização, convencimento dos trabalhadores, que em tempos de desemprego têm medo. Por isso, quando se chega a este ponto é porque as condições de trabalho e de vida estão penosas.”

Com a crise mundial, nos Estados Unidos e Europa, a economia passou a valorizar o dinheiro, porque ganha-se mais aplicando no mercado financeiro do que em gerar emprego. “Isso faz parte de um conjunto de fatores que vão gerando os movimentos de greve. A crise interfere na economia internacional, tanto que o Brasil está vivendo uma turbulência com alta do dólar e da inflação e, consequente, perda do poder aquisitivo do trabalhador”, explica o professor.

Para o sociólogo Fábio Fonseca, um fator foi determinante para o surgimento dos movimentos sindicais, o desenvolvimento acelerado da economia mundial, após a Segunda Guerra Mundial. Em contrapartida, diversas crises geraram desemprego, desmobilização e desvalorização das forças de trabalho. A chegada do PT ao poder promoveu, no Brasil, a absorção de lideranças sindicais e o surgimento de outras centrais voltadas à luta dos trabalhadores. “Creio que as instituições públicas, os governos federal, estadual e municipal têm que ter sensibilidade em relação a seus funcionários, no sentido de evitar movimentos grevistas. É uma questão de prioridade de uma administração diante de problemas que afetam diretamente a população”, completa.

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