Uberabense volta a se preocupar com problema que acontece sempre quando o período de seca se estende, que é a falta de água nas torneiras de casa; assunto entra em debate
Em setembro de 2014, Uberaba decretou estado de emergência de desabastecimento, iniciando processo que culminou em racionamento de água durante a maior seca em 84 anos. Hoje, o presidente do Centro Operacional de Desenvolvimento e Saneamento de Uberaba (Codau), Luiz Guaritá Neto, prefere não descartar a possibilidade de o município se deparar com esse problema novamente, mas afirma que inúmeras obras estão em andamento para evitar outro racionamento.
Na avaliação do presidente, nunca é possível saber ao certo como o clima vai se comportar. Neste sentido, o problema não é saber se haverá seca, mas quão longa ela será e quando voltará a chover. “O que podemos afirmar é que, em dezembro de 2014 e janeiro deste ano, nós tivemos um tempo muito ruim, com menos chuva. A diferença agora é que nosso inverno está mais chuvoso do que o que foi no ano passado. Isso de alguma forma reduziu nosso consumo e está fazendo nossa bacia ficar mais revigorada desde fevereiro. Neste momento, não vemos nenhuma possibilidade de pânico, porque o Codau fez 44 obras importantes para reduzir o problema da falta de água em áreas localizadas. Em 2014 faltou água para só para 1,5% da população, considerando o desabastecimento como a impossibilidade de fornecer água pelo menos uma vez por dia na casa das pessoas. Remanejar o abastecimento de água é um procedimento muito comum entre as companhias. Em São Paulo, a água às vezes chega duas vezes por semana”, explica.
Entre as obras, Luiz Neto ressalta que estão pequenas interligações, como entre a adutora do Reservatório 6 e o Reservatório 12, a fim de reforçar o abastecimento de água na região do Morada Du Park e demais bairros. Além disso, o Codau fez uma ligação por trás do bairro Morumbi com o objetivo de reforçar o atendimento a cerca de 180 casas daquela área, que todo ano enfrentava falta de água por estar localizada na parte mais alta da cidade. “Essas 44 pequenas obras são extremamente diversas e nos deixam otimistas de que vamos enfrentar a crise deste ano. Mesmo assim, não seremos irresponsáveis para dizer que não vai faltar água, porque não somos Deus e não controlamos a natureza”, reforça. Elas devem ficar prontas até o fim de 2015, muitas antes mesmo do período de seca.
Ampliação da reservação e nova barragem garantem água para os próximo 20 anos. Em longo prazo, o presidente afirma que o Codau vem aumentando em 50% a reservação de água em Uberaba. Com isso, em caso de estiagem, o abastecimento será garantido por pelo menos 18 horas e não mais 12h, como antes. “São milhões e milhões de litros, caixas-d'água enormes, sendo que quatro delas estão sendo construídas junto à ETA (Estação de Tratamento de Água), que tem um papel importante no sistema de distribuição de água. Estamos ainda praticamente duplicando a quantidade de adutoras na cidade, consideradas obras estratégicas, como a que passa perto do aeroporto. São obras contínuas, que melhoram o processo de distribuição. Outra solução definitiva é a barragem no rio Uberaba, porque onde falta água, falta geralmente em setembro ou outubro. A barragem vai nos dar água durante 90 dias de seca, caso os rios Uberaba e Claro juntos só derem a metade da água que precisamos para os próximos 20 anos”, esclarece Luiz Neto.
Trata-se de um projeto que já está pronto e aguarda apenas a liberação de licenças e autorizações ambientais, de desapropriação e de engenharia. A construção foi aprovada no Ministério das Cidades e o governo federal já confirmou liberação de R$40 milhões para executar a obra. A implantação da barragem precisa ser autorizada pelo Instituto Mineiro de Gestão de Águas (Igam) e também de licenciamento ambiental antes da abertura do processo licitatório. A previsão, segundo o presidente do Codau, é resolver tudo ainda no governo de Paulo Piau.
Além disso, ele lembra que este ano ainda não foi necessário acionar as bombas de captação de água do rio Claro. Luiz Neto conta que há 10 anos o município faz isso de forma provisória para complementar a água do rio Uberaba, a novidade é que hoje um trecho de 7km da obra já está executada, mas o sistema faz parte do projeto de recomposição para a barragem. “As máquinas já estão prontas para, caso haja necessidade de ligar o sistema, ele venha a complementar o consumo sempre que o rio Uberaba apresentar redução”, completa.