BUSCA PERIGOSA

Perdeu peso, mas não se reconhece? Psicólogo alerta para efeito das canetas emagrecedoras

Especialista diz que emagrecimento sem reeducação alimentar pode manter padrões compulsivos

Juliana Corrêa
Publicado em 03/05/2026 às 16:23
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O fenômeno levanta um alerta sobre a relação entre imagem corporal, hábitos alimentares e saúde mental, especialmente quando o processo ocorre sem acompanhamento adequado (Foto/Reprodução)

A busca por emagrecimento rápido, impulsionada pelo uso cada vez mais comum de canetas emagrecedoras, tem revelado um efeito que vai além da balança: a dificuldade de algumas pessoas em se reconhecer no próprio corpo após uma perda de peso acentuada. O fenômeno, observado por profissionais da área da saúde, levanta um alerta sobre a relação entre imagem corporal, hábitos alimentares e saúde mental, especialmente quando o processo ocorre sem acompanhamento adequado. 

De acordo com o psicólogo Sérgio Marçal, o uso desses medicamentos muitas vezes reflete uma lógica imediatista. “As canetas vêm sendo usadas de um modo indiscriminado, que reflete inclusive a cultura do rápido, essa cultura de transformações rápidas com menor esforço. As pessoas têm aderido e conseguido perdas significativas de peso”, afirma. Apesar dos resultados aparentes, ele ressalta que o emagrecimento sem mudanças consistentes no estilo de vida pode trazer consequências. 

Entre elas está a dificuldade de adaptação à nova imagem corporal. Em alguns casos, mesmo após emagrecer, a pessoa continua insatisfeita ou não se percebe de forma condizente com o corpo atual, o que pode indicar distorções de autoimagem. Esse quadro pode se aproximar de transtornos psicológicos, como o transtorno dismórfico corporal, exigindo atenção especializada quando há sofrimento significativo ou impacto na rotina. 

Outro ponto destacado pelo psicólogo é o risco de manter padrões alimentares inadequados mesmo após a perda de peso. “Perder peso sem reeducação alimentar leva ao risco de retorno do ganho de peso, inclusive com um ganho maior do que aquele anterior ao uso da caneta. A pessoa pode ter um corpo magro, mas com uma mente compulsiva”, explica. Esse descompasso entre corpo e comportamento pode favorecer o chamado efeito sanfona e até o uso contínuo ou crescente da medicação. 

Para evitar esses impactos, Marçal reforça que o uso das canetas deve ser parte de um cuidado mais amplo, que inclua acompanhamento médico, reeducação alimentar e suporte psicológico. Segundo ele, compreender os gatilhos do comportamento alimentar e trabalhar a relação com o corpo são etapas fundamentais para que o emagrecimento seja sustentável e não comprometa a saúde física e mental. 

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