CIDADE

Por drones e pelo muro: familiares insistem na tentativa de enviar drogas a detentos na penitenciária de Uberaba

Luiz Henrique Cruvinel
Publicado em 19/09/2022 às 09:58Atualizado em 18/12/2022 às 03:46
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O diretor regional da Penitenciária Professor Aluízio Ignácio de Oliveira, em Uberaba, Itamar da Silva Rodrigues Júnior, informou, nesta segunda-feira (19), que os casos de tentativa de envio de drogas e aparelhos eletrônicos a detentos ainda são altos, apesar dos mecanismos de monitoramento e segurança. Em entrevista à Rádio JM, Itamar afirma que mais de 4 mil celulares foram recuperados em 2021, encaminhados a prisioneiros da unidade.

Itamar Júnior revela que a penitenciária de Uberaba é a única da região que possui o Body Scan, scanner corporal que substitui a revista pessoal por meio de raio-X, utilizado em aeroportos, por exemplo. A aparelhagem facilita a identificação e receptação de itens, muitas vezes drogas e eletrônicos.

A maioria dos casos, conforme o diretor regional, é formado por familiares, sempre de 1º grau, que tentam burlar o sistema prisional.

“Até alertamos os familiares para não fazerem isso. Às vezes são mães, pais, avós. Ficamos preocupados com eles, que se comovem com a situação dos filhos lá dentro. A maioria dos celulares encontrados lá dentro são assim, as pessoas tentam lançar para dentro. Alguns pegamos, outros passaram e depois recuperamos lá dentro. Mas hoje contamos, na penitenciária, com ajuda do poder judiciário, com 83 câmeras funcionando em Full HD, para monitoramento interno e externo. E agora até instalamos sensor de presença. Os indivíduos que tentarem se aproximar lá serão surpreendidos. Outro fator de preocupação é porque o armamento na muralha é letal, fuzis e .40s, principalmente”, conta Itamar.

Além disso, há casos de familiares que tentam adentrar à unidade com drogas engolidas para as visitas. Nestas ocorrências, caso haja suspeita após a revista tecnológica, a pessoa é orientada a ir ao Instituto Médico Legal (IML) para exames comprobatórios, mas ela pode recusar.

“O que acontece no ordenamento jurídico é que, mesmo identificando a imagem suspeita, não podemos afirmar e nem conduzir a pessoa à autoridade. Convidamos ela a ir para o hospital para fazer um exame aprofundado. Ela não tem obrigação de ir. Se ela se negar a ir, seja mãe ou qualquer coisa, fazemos investigação interna e é suspensa a visita por tempo indeterminado. Vez ou outra já foram presas pessoas. Já houve operação de abrir a pessoa e tirar quase 1 kg de droga. A pessoa estava em regime semiaberto e tentando entrar com material”, diz o diretor.

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