É importante a continuidade da política voltada à criação de minidistritos para contemplar as pequenas empresas... Leia Mais...
Incentivos aos micro e pequenos empresários locais não podem ser interrompidos por causa da perspectiva de grandes empreendimentos. A análise é do presidente da Aciu (Associação Comercial, Industrial e de Serviços de Uberaba), Manoel Rodrigues Neto, que considera importante a continuidade da política voltada à criação de minidistritos para contemplar as pequenas empresas e, consequentemente, manter a qualidade de vida da população. Na avaliação do presidente da Aciu, a economia de Uberaba precisa tanto dos grandes empreendimentos quanto dos negócios menores para se sustentar e crescer com solidez. Para se ter uma ideia, Uberaba possui três minidistritos, mas todos já estão esgotados. Levantamento da Secretaria Municipal de Desenvolvimento Econômico aponta que 43 pequenas empresas estão aguardando liberação de terrenos para que possam se instalar em imóvel distrital. Por isso, no ano passado, a Prefeitura deu início a um processo de busca por novas áreas para ampliar os espaços destinados às fábricas de pequeno porte. Uma das propostas em análise refere-se a uma área localizada no bairro Tita Rezende. O município pleiteia ainda 32 mil metros quadrados de áreas pertencentes ao patrimônio da União para implantar outros 30 novos lotes. A criação dos minidistritos virá resolver um problema que há anos se observa em Uberaba: empresas instaladas de forma inadequada no meio de bairros residenciais e sem possibilidade de ampliar a estrutura, como é o caso de serralherias e marcenarias. A criação de novos minidistritos, além de levar essas empresas para local apropriado, dará fôlego à continuidade e futura ampliação desses pequenos negócios que aquecem a economia local. “A pequena empresa não pode ir para um grande distrito industrial, porque ficaria muito longe dos bairros, onde estão os clientes e a mão de obra”, ressalta o líder classista. Para Manoel, o caminho para resolver o impasse seria a Prefeitura elaborar um planejamento estratégico a partir de agora e reservar áreas no entorno dos novos conjuntos habitacionais para a instalação de minidistritos. Ele ressalta que a presença das fábricas de pequeno porte setorizadas em regiões próximas às áreas residenciais criaria oportunidades de emprego, diminuiria os gastos e os transtornos no deslocamento dos trabalhadores até o local de trabalho. “Uberaba precisa ser uma cidade boa para viver e também para trabalhar. Essa é uma medida que proporcionaria desenvolvimento sem perder a qualidade de vida e ainda aumentaria a renda familiar, pois até uma mãe teria condições de trabalhar fora. Ela poderia deixar os filhos na creche e depois seguir para a empresa instalada perto do bairro”, afirma. Por outro lado, o presidente da Aciu reforça que a qualidade de vida também depende do oferecimento dos serviços básicos onde a população estiver instalada, o que exige atenção ao planejamento urbano. Para alcançar o objetivo, entretanto, Rodrigues analisa que as decisões não podem ser unilaterais do Poder Público. Ele defende um diálogo com a comunidade e instituições locais para identificar os gargalos e também levantar propostas para projetar o melhor atendimento ao público atual e futuro. “É preciso ouvir a sociedade sobre como serão aplicados os recursos públicos. O planejamento não pode ser feito fechado em uma sala e depois implantado de maneira imposta, sem ter como voltar atrás por causa do dinheiro gasto”, avalia. O líder classista pondera ainda que a participação popular não deve se restringir a indicar o local de uma escola ou posto de saúde, mas também incluir a fiscalização voluntária das obras desenvolvidas. “A partir do momento que a pessoa tem voz no processo de discussão, ela valoriza o resultado”, finaliza. (GB)