Cinco dirigentes foram afastados: a determinação é da 3ª Vara Criminal de Belo Horizonte
Presidente do Sindicato do Comércio de Uberaba (Sindicomércio), Marcelo Carneiro Árabe, está entre os diretores da Federação do Comércio, Bens, Serviços e Turismo do Estado de Minas Gerais (Fecomércio-MG) afastados por medida judicial. O juiz da 3ª Vara Criminal de Belo Horizonte, Guilherme Sadi, proferiu decisão ontem determinando o afastamento de cinco dirigentes da entidade, por 90 dias, para apuração de denúncia por desvio de recursos do sistema.
Além do presidente do Sindicomércio de Uberaba, que também é primeiro tesoureiro da federação, por meio da decisão, foram afastados o presidente da entidade, Lázaro Luiz Gonzaga; primeiro vice-presidente, Sebastião da Silva; o segundo tesoureiro, Wainer Pastorinni Haddad, e o terceiro vice-presidente, José Danaldo Bittencourt Júnior. Procurado pela reportagem, Marcelo Árabe afirmou que está tranquilo com a situação, pois trata-se de uma divergência política dentro da entidade, mas preferiu não comentar os detalhes da investigação em andamento e da defesa.
Denúncia do Ministério Público de Minas Gerais (MPMG) aponta que há fortes indícios de desvios de recursos do sistema Fecomércio no valor de R$70 milhões em benefício de gestores. Após três anos de investigação, o Ministério Público denunciou esquema que direcionava contratos de compra de bens, serviços e obras, além do superfaturamento deles, com vantagens ilícitas para então diretores da instituição.
Em sua decisão, o magistrado também determinou a nomeação de uma interventora judicial para fazer levantamento administrativo e financeiro, além de conduzir o processo de sucessão na presidência da federação, marcado para 16 de maio. Com esta nova decisão do juiz Guilherme Sadi, a Fecomércio mineiro já enfrenta a segunda intervenção desde que o início das investigações da Promotoria de Defesa do Patrimônio Público.
Por meio de nota, a Fecomércio-MG informou que “tem prestado todas as informações solicitadas para o desenvolvimento do processo, a fim de manter a transparência e a credibilidade”. O departamento jurídico da entidade já está trabalhando em mandado de segurança, contra a decisão, que deverá ser apresentado ao Tribunal de Justiça de Minas Gerais (TJMG) na próxima segunda-feira (30).