Item básico na mesa do brasileiro, o pãozinho pode ficar mais caro nas próximas semanas. Moinhos brasileiros calculam alta de até 15% no custo da farinha, diante da quebra de 43% na produção argentina de trigo. Caso a oferta seja reduzida e o produto tenha que ser adquirido em outros mercados, como Estados Unidos e Rússia, o repasse aos preços do produto final será inevitável, conforme a Associação Brasileira da Indústria do Trigo (Abitrigo). Sessenta por cento do trigo consumido no mercado brasileiro é importado, sendo que mais de 90% desse volume vem do país vizinho. A quebra na produção dos hermanos se deve a problemas climáticos da Argentina, que enfrenta a pior seca dos últimos 50 anos. A situação ainda se agravou devido ao plantio com menos tecnologia, o que resultou na pior colheita dos últimos 20 anos. De acordo com relatório da Bolsa de Cereais do país, a safra 2008/2009 atingiu 8,7 milhões de toneladas de trigo, número bem inferior aos 16,3 milhões colhidos no período anterior. A matéria-prima é responsável por 30% do custo do pãozinho. Em Minas Gerais, o preço do produto deixou de apresentar grandes oscilações desde agosto do ano passado, mantendo a média de R$ 6,9/quilo. Em Uberaba, o preço médio do pão – R$ 5,9 – fica abaixo da faixa praticada na maior parte do Estado. Com o repasse da alta de 15%, o pãozinho passaria a custar aos uberabenses R$ 6,8/quilo. Entretanto, o setor da panificação ainda não demonstra preocupação com a notícia da quebra de produção argentina. Edelfon Jacob Prata é proprietário de padaria em Uberaba há 18 anos e diz que é normal a oscilação do preço da farinha devido a fatores climáticos que atingem as lavouras ou mesmo por falta de estoque. O problema, segundo ele, está na disputa desleal de grandes redes de supermercados com os pequenos fabricantes de pão. “Nem sempre conseguimos repassar as altas ao consumidor, devido à concorrência que estrangula o pequeno empresário do setor de panificação. Os supermercados utilizam o pão como chamariz para conseguir outras vendas, enquanto para as padarias o item é o carro-chefe”, explica. Edelfon revela que o preço do pãozinho em sua padaria – R$ 5,5/quilo – não sobe há, pelo menos, dez meses. “No início do mês de janeiro, a farinha apresentou alta de 10%, mas, até agora, não conseguimos repassá-la ao cliente. Reduzimos nossa lucratividade para concorrer com os grandes supermercados, que puxam o preço para baixo”, comenta. O presidente do Sindicato da Indústria da Panificação e Confeitaria de Uberaba (Sindipan), Gleison Enrique Ferreira Borges, que se encontra de férias em São Paulo, foi informado sobre a possível alta pela reportagem do Jornal da Manhã e afirmou que ainda é cedo para mensurar possível consequência no mercado brasileiro.