CIDADE

Procura por poços artesianos aumenta 60% em Uberaba

Procura pela alternativa se deve ao longo período de seca e risco de desabastecimento, combinados com a baixa quantidade de chuva

Thassiana Macedo
Publicado em 08/02/2015 às 14:48Atualizado em 17/12/2022 às 01:31
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 Reprodução/Net

Perfuração de poços artesianos cresceu 60% e empresas do setor tiveram janeiro atípico em Uberaba

A crise no abastecimento de água pegou todo o país de surpresa em 2014 e a região Sudeste tem sido a mais atingida pelas mudanças climáticas. Por aqui, a vazão do rio Uberaba ainda não se recuperou totalmente da seca prolongada enfrentada no ano passado. Isso fez com que aumentasse em pelo menos 60% a procura por poços artesianos. A opção é uma alternativa para minimizar os efeitos da falta de água, mas o processo para a perfuração não é muito barato.

Segundo o empresário Ademilson dos Santos, o preço para a perfuração de um poço de menor profundidade chega a variar entre R$18 mil a R$25 mil, dependendo do local e do tipo de terreno. Para Santos, a crise hídrica sentida em todo o Sudeste e a consequente seca verificada em Uberaba e na região a partir do fim de 2014 foram responsáveis pelo aumento de até 60% na procura para a perfuração de poços artesianos na cidade.

Ainda de acordo com Reini Marques Vieira, também empresário do ramo em Uberaba, as perfurações acontecem o ano todo com uma média de três a quatro poços, mas a procura pelo serviço começou a aumentar de forma significativa em julho de 2014.

“Hoje, semanalmente, recebemos cerca de 30 ligações de pessoas querendo perfurar poço, dos quais fechamos entre quatro e cinco por semana. Temos duas máquinas trabalhando e não ficamos parados. Janeiro deste ano tem sido atípico e ninguém esperava serviço agora, pois em janeiro chove muito. Cheguei a dar férias e demitir alguns funcionários, mas tive que voltar a contratar porque a procura está muito grande”, avalia o especialista.

Ele explica que a diferença entre poço artesiano e semiartesiano é a vazão da água, sendo que o poço artesiano é aquele cujo fluxo é natural, ou seja, através da pressão ambiente o poço simplesmente jorra água. Já o poço semiartesiano é aquele que necessita da ajuda de bombas e equipamentos específicos para retirar a água do subterrâneo. Segundo Reini Vieira, a cada mil poços, apenas um é artesiano.

“Há ainda o minipoço, que é uma cisterna melhorada, o semiartesiano e o artesiano. Nós fazemos então o semiartesiano e quando acontece de perfurarmos um poço artesiano é porque ele jorrou sozinho. O poço semiartesiano é aquele que chega ao lençol freático. Então perfuramos poços de 200, 300 ou 500 metros até quando a água aparece. A menor perfuração, que chega a 80 metros, com poço e bomba custa cerca de R$20 mil”, explica.

Como diferencial de mercado, algumas empresas estão acrescentando ainda a oferta do serviço de um engenheiro especialista em geologia a fim de verificar a possibilidade e o melhor local para encontrar água em condições de ser bombeada através de uma técnica conhecida como radiestesia ou radioestesia.

Perfuração exige autorização de órgão ambiental localizado em Uberlândia

Quem libera as perfurações de poços artesianos na região do Triângulo Mineiro, conforme a legislação ambiental vigente, é a Superintendência Regional de Regularização Ambiental (Supram), localizada em Uberlândia. Para formalizar o pedido de perfuração é necessário preencher formulário descrevendo a profundidade de perfuração e a retirada de água.

O órgão então abre um processo de solicitação da perfuração, verifica a possibilidade, para só depois emitir, ou não, a autorização. Segundo o órgão, esse processo pode durar de 45 a 60 dias, mas, na prática, empresas afirmam que prazo chega a nove meses a um ano.

O secretário municipal de Agricultura, Danilo Siqueira Campos, explica que para qualquer perfuração de poço é necessário ter uma licença ou outorga, a fim de evitar prejuízos ao lençol freático. “Se for um poço para uso doméstico é insignificante, ou seja, um poço de até 12 metros de profundidade e baixa vazão de água, conseguimos cadastrar o produtor rural, por exemplo, e levar o cadastramento para Uberlândia, autorizando ele a fazer.

Se o poço artesiano for mais profundo, é preciso ter uma outorga e uma autorização da Supram, mas mesmo neste caso é importante que as pessoas procurem a secretaria para que possamos auxiliar, pois toda a parte de gerenciamento hídrico dos municípios, do Estado e da união são feitos pelo Meio Ambiente. É um assunto muito importante e tudo deve ser feito com licenciamento e outorga, bem como de forma bem gerenciada, pois pode prejudicar o lençol freático”, esclarece Siqueira.

Para o secretário, trata-se de uma alternativa viável para minimizar a falta de água na região, mas é fundamental que todos os passos sigam os requisitos exigidos pela legislação. Isto porque se trata de um recurso natural de disponibilidade limitada.

A Lei nº 13.199/99 instituiu em Minas Gerais a Política Estadual de Recursos Hídricos, que visa a assegurar o controle do uso da água e de sua utilização em quantidade, qualidade e regime satisfatórios. O instrumento de gestão dos recursos que define a outorga de Direito de Uso da Água como bem público.

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