
Colo. Foto/Hospital Hélio Angotti
Em sua 3ª Edição, o projeto ‘A Flor da Pele’, idealizado pelo mastologista uberabense Cléber Sérgio Silva, acontecerá a partir desta quinta-feira (27), em um mutirão de três dias que irá trabalhar na reconstrução da mama de 31 mulheres que passaram por tratamento contra o câncer de mama no Hospital Hélio Angotti.
Realizado de forma totalmente voluntária e através de doações, o ‘A Flor da Pele’ já reconstruiu a mama de 93 mulheres que passaram pelo processo de combate ao câncer. É uma regra do projeto que o tratamento seja feito através do Sistema Único de Saúde (SUS), dando a oportunidade dessas guerreiras reconquistarem sua autoestima.
“No Brasil, a cada 40 minutos é feita uma mastectomia. É a cirurgia mais feita para tratar câncer de mama. E nós temos uma fila de mais de 75 mil mulheres que estão sem a mama, que estão aguardando para reconstruir. Desde 2013, já é uma lei a reconstrução mamária, só que é muito difícil efetivar essa lei por causa dos custos que são contemplados na tabela do SUS. Eles nunca cobram o que efetivamente gastariam para fazer uma reconstrução que preenchesse os dois lados. Para se ter uma ideia, o valor máximo da prótese que o SUS repassa é R$744. Nós conseguimos comprar para esse projeto a prótese a R$1.600”, relata Cléber.
O mastologista ainda explica que, para o mutirão, médicos de outras cidades e estados se deslocam até Uberaba e realizarão as cirurgias. “Nós trazemos colegas de outros municípios, até de regiões distantes do Brasil. Tem colegas de Recife, colega de Porto Alegre, tem colega vindo de Brasília, de Uberlândia de São Paulo, enfim. São colegas de profissão meus. Como o volume de cirurgias é grande, é impossível de se fazer sozinho num período tão curto. Nós vamos gastar aproximadamente 144h, em 4 salas cirúrgicas, no mínimo 12h por dia”, conta.
Ainda de acordo com Cléber, o número de 31 mulheres é escolhido para que as pacientes possam representar, cada uma, um dia no mês de outubro, voltado ao combate ao câncer de mama, além de espelharem todas as outras mulheres que ainda não tiveram a oportunidade de realizar o procedimento. O especialista também conta que desde a hospedagem dos médicos até o as próteses, tudo foi realizado com colaboração da sociedade, seja na doação, seja em prestação de serviços.
Lucimar Santos, de 58 anos, é uma das pacientes que passou pelo projeto, em 2019, na 1ª edição. Ela conta que descobriu o câncer de mama logo após cirurgia de mastectomia da própria filha, que também passou pelo processo. “Pior do que a gente ter, é um filho ter. Depois de dois anos que apareceu nela, apareceu em mim também. Eu só fazia a mamografia e um dia resolvi apalpar [a mama], e foi eu apalpar que eu percebi um carocinho, bem pequenininho, que foi crescendo. Eu falei com o Dr. Rafael e ele me mandou fazer a mamografia e já era um câncer”, conta.
Ela ainda relata que passou por todos os processos - quimioterapia e radioterapia -, mas que contou com o apoio da família e amigos, além de contar com sua própria fé. “Eu buscava força em Deus, em mim. E Deus é muito maravilhoso na minha vida, eu sou uma mulher muito abençoada, porque eu encontrei o Dr. Décio, o Dr. Rafael e o Dr. Cléber”, afirma.
Logo no primeiro mutirão, Lucimar foi convidada e conta que “aceitou com o maior prazer”. “Durante essa caminhada, essa busca pela cura, eu estive muito pegada nas mãos de Deus”, relata.
Em julho deste ano, Lucimar terminou de tomar o anastrozol, remédio utilizado no tratamento do câncer em todos os estágios. “Estou cada dia me amando mais, me acho uma mulher muito abençoada, privilegiada por Deus e de muita fé”, finaliza.