Projeto que protege crianças e adolescentes de “castigo físico” pode tirar a autoridade de pais, segundo avalia a psicóloga Alci Cabral
Projeto que protege crianças e adolescentes de “castigo físico” pode tirar a autoridade de pais, segundo avalia a psicóloga Alci Cabral. A chamada Lei da Palmada, que sujeita pais que batem nos filhos a penas socioeducativas e permite até o seu afastamento dos filhos, foi aprovada por unanimidade na Comissão Especial da Câmara dos Deputados. O projeto especifica que crianças e adolescentes devem ser protegidos do "castigo físico", quando o uso da força resulta em sofrimento e lesão.
O projeto foi aprovado em caráter terminativo, o que significa que, caso não haja requerimento para votação em plenário (assinado por 52 dos 513 deputados no prazo máximo de cinco sessões), seguirá para o Senado.
Para a psicóloga Alci Cabral, a lei deveria incentivar os pais a educarem os filhos com amor, tendo argumentos para orientar o filho e não a punição generalizada dos pais, tirando inclusive a autoridade deles em relação aos filhos. “De repente, com a intenção de proteger a integridade da criança, a lei pode colocar em xeque a autoridade dos pais.”
O governo deveria, em vez de instituir a lei, instruir, colocar mais programas educativos sobre a importância da relação do amor, da harmonia e a correção por meio do carinho, ressalta a psicóloga.
No caso das crianças tomarem conhecimento da lei e questionarem, Alci afirma que os pais devem explicar aos filhos que a lei veio para pais que violentam e são agressivos com as crianças e não para aqueles que educam e corrigem com amor. “Em primeiro lugar está a autoridade dos pais com amor e isso deve ser passado para as crianças. É importante que os pais falem para os filhos com segurança para não demonstrar medo em relação à lei.”
Segundo a psicóloga, o ponto principal é mostrar que na realidade a lei da Palmada oprime e repreende os pais e ainda tira a autoridade dos mesmos. “Ela deveria incentivar e conscientizar a importância da Educação e orientação com amor, dando condições para que eles saibam como lidar com os filhos”, conclui Alci.