A Gerência de Atenção à Saúde do Hospital de Clínicas da Universidade Federal do Triângulo Mineiro (HC/UFTM) explicou as causas da morte da idosa Maria José da Silva, 69 anos, que aguardava internada há mais de 40 dias por cirurgia cerebral. A reportagem do JM Online acompanhou o caso após ser acionada pelas filhas de Maria, que relataram a situação crítica de sua mãe no hospital.
À reportagem, a gerência do hospital explicou que a paciente apresentou deterioração do quadro neurológico que, no dia 15 (terça-feira), evoluiu com instabilidade hemodinâmica, gerando dificuldade para manutenção dos parâmetros clínicos. O hospital alega que o quadro inviabilizou a realização do procedimento de embolização, sendo contraindicado pelos médicos neurologistas e do Centro de Terapia Intensiva (CTI).
Com relação aos outros pacientes que também estavam aguardando a cirurgia cerebral, a gerência do hospital afirmou que eles já passaram pelo procedimento na terça-feira (22).
Entenda o caso. A dona de casa Tássia Cristina de Oliveira e sua irmã Kátia Oliveira acionaram a reportagem do JM Online para relatar a situação crítica que sua mãe viveu enquanto permanecia internada no HC/UFTM. Segundo elas, Maria José aguardou por mais de 40 dias para ser submetida a cirurgia cerebral, uma vez que não havia material para realização do procedimento.
Na ocasião, a direção do HC/UFTM confirmou estar passando por dificuldades financeiras e informou que alguns procedimentos estão sendo prejudicados devido às dificuldades na entrega dos materiais. Porém, mesmo com a chegada do material necessário, a cirurgia de Maria José não foi realizada. A demora, segundo as filhas da idosa, agravou ainda mais a situação.
Hospital confessa que não está conseguindo cumprir sua função
A Gerência de Atenção à Saúde do HC/UFTM reafirmou que o hospital está trabalhando com desabastecimento iminente nos últimos meses. “O contexto nacional de crise nos afeta diretamente, pois o HC/UFTM, bem como outras instituições, depende dos recursos financeiros apontados pelas instâncias da administração pública. Com a persistente irregularidade deste aporte, o HC não consegue cumprir sua função de atender plenamente seus pacientes”, lamenta a gerência, em nota.