CALENDÁRIO CATÓLICO

Quaresma começa com convite à oração, jejum e caridade, diz arcebispo de Uberaba

Dom Paulo explica simbolismo dos 40 dias e orienta fiéis sobre práticas e sinais litúrgicos até a Semana Santa

Débora Meira
Publicado em 17/02/2026 às 17:19
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Com o fim do Carnaval, começa a Quaresma, período importante no calendário católico e marcado por reflexão, jejum e caridade. O arcebispo metropolitano da Arquidiocese de Uberaba, Dom Paulo Mendes Peixoto, explica que esse é um tempo litúrgico de 40 dias, destinado à preparação para a Páscoa da Ressurreição de Jesus.  

O período quaresmal, que começa na Quarta-feira de Cinzas e se estende até a Quinta-feira Santa, é fundamentado na fé, esperança e caridade. Para Dom Paulo, a Quaresma é a oportunidade de aprofundar a vida espiritual dos fiéis e se preparar para o grande evento da Ressurreição. Todas as leituras dominicais durante os 40 dias são direcionadas para este momento central da fé cristã. 

O número 40 tem grande simbolismo bíblico, representando provação, purificação e transformação. Na Escritura, observa-se em episódios como os 40 dias e noites de chuva no dilúvio de Noé, os 40 dias de Moisés no Monte Sinai, os 40 anos do povo de Israel no deserto, e os 40 dias de jejum de Jesus antes de iniciar seu ministério. “Na Quaresma, esses 40 dias nos convidam a uma verdadeira mudança interior, a um fortalecimento da fé e da esperança em Deus”, comenta Dom Paulo. 

Durante este tempo, os cristãos são chamados a intensificar três práticas centrais: oração, jejum e caridade. O arcebispo ressalta que a oração é diálogo íntimo com Deus, o jejum envolve privação e disciplina sobre si, e a caridade se manifesta em gestos concretos de amor ao próximo. “A abstinência da carne, muito conhecida na Quarta-feira de Cinzas e na Sexta-feira da Paixão, é apenas uma forma de jejuar. O essencial é unir jejum, oração e caridade de maneira sincera”, afirma. 

A simbologia da Quaresma também se reflete na liturgia. Na Quarta-feira de Cinzas, os fiéis recebem as cinzas, feitas de ramos bentos do ano anterior, na testa, como sinal de penitência e lembrança da mortalidade humana: “Lembra-te que és pó e ao pó hás de voltar”. Além disso, os paramentos e as cores utilizadas nas celebrações mudam conforme o período: o roxo simboliza penitência e conversão, o vermelho, o sangue de Cristo na Sexta-feira Santa, e o branco, a alegria da Páscoa. 

Para Dom Paulo, a Quaresma é uma oportunidade de verdadeira conversão, que envolve mudança de mentalidade e de hábitos, não apenas exteriormente, mas de forma profunda no coração. “É um tempo para renovar atitudes, buscar a misericórdia de Deus e preparar-se espiritualmente para a vida nova que a Páscoa oferece”, conclui. 

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