Hospital explica diferença entre resgate espontâneo e encaminhamento oficial pela Prefeitura
Quem decide socorrer um cachorro ou gato atropelado em Uberaba pode acabar assumindo a responsabilidade pelo tratamento veterinário. A orientação é do Hospital Veterinário da Uniube (HVU), que esclarece que o atendimento de emergência é feito imediatamente, mas, quando o animal não é encaminhado oficialmente pela Prefeitura, a pessoa que realizou o resgate passa a ser a referência inicial do caso.
As coordenadoras do HVU, Ananda Teodoro e Viviane Silva, explicaram em entrevista ao programa Pingo do J, da Rádio JM, que o hospital não deixa de atender um animal em situação de urgência por questões administrativas. A prioridade é estabilizar o paciente e preservar sua vida. “O nosso papel no hospital, inicialmente, é socorrer o animal. A gente não está olhando a responsabilidade financeira naquele momento, mas garantir que ele fique bem. Depois disso, a equipe administrativa entra em ação para orientar sobre os custos, os cuidados necessários e toda a documentação”, explica a médica-veterinária Ananda Teodoro.
Segundo a gerente administrativa do HVU, Viviane Silva, existe um fluxo específico para os animais encaminhados oficialmente pela Prefeitura de Uberaba por meio do convênio firmado com a instituição. Nesses casos, o atendimento segue as regras estabelecidas pelo contrato.
Já quando o animal é levado espontaneamente por um morador, sem encaminhamento oficial, a pessoa que realizou o resgate passa a ser a responsável inicial pelo caso. “Se não houver esse encaminhamento prévio da Prefeitura, é o CPF de quem socorreu que fica responsável por esse atendimento”, afirma.
De acordo com ela, essa medida é necessária porque muitos animais atropelados precisam de cirurgias, internação, medicamentos e acompanhamento após o primeiro atendimento.
Apesar da responsabilidade inicial, o hospital orienta que a população não deixe de prestar socorro aos animais atropelados.
Segundo Ananda, o tempo entre o acidente e o atendimento pode ser determinante para a sobrevivência do paciente.
A veterinária também chama atenção para o aumento de atropelamentos envolvendo animais semidomiciliados, que costumam sair sozinhos e acabam sendo atingidos principalmente nos horários de maior movimento.
Embora o atendimento possa ser iniciado em nome de quem realizou o resgate, o hospital afirma que, na maioria dos casos, consegue localizar os verdadeiros tutores.
Além disso, professores, estudantes e colaboradores frequentemente se mobilizam para auxiliar famílias que não têm condições financeiras de custear todo o tratamento. “Na maioria das vezes, a gente localiza esse tutor. E o HVU, inúmeras vezes, faz vaquinhas para ajudar. Se a gente tem medicação disponível, também faz a doação”, relata Viviane.
Durante a entrevista, Ananda revelou que algumas pessoas deixam animais resgatados no hospital, acreditando que a instituição assumirá todos os cuidados de forma definitiva.
Mesmo nesses casos, ela afirma que a maioria dos animais consegue um novo lar após a recuperação, muitas vezes adotados pelos próprios estudantes de Medicina Veterinária. “Acontece de a pessoa resgatar e realmente abandonar o animal no hospital. Mesmo assim, a maioria desses pacientes acaba encontrando uma adoção”, conta.
A coordenadora reforça que o HVU atua para salvar vidas, mas destaca que a guarda responsável continua sendo fundamental para garantir a continuidade do tratamento e evitar novos casos de abandono.