CIDADE

Recursos para universidades são suficientes até setembro

Com cortes orçamentários de quase 10%, dirigentes de escolas de ensino superior federais buscam alternativas para fugir das dívidas

Marconi Lima
Publicado em 29/07/2017 às 09:01Atualizado em 16/12/2022 às 02:11
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Foto/Arquivo

Universidade Federal do Triângulo Mineiro já rescindiu contrato com empresa de segurança e busca outras formas de cortar gastos

O equilíbrio nas contas, "mantra cantado" pelo governo federal como principal plataforma da gestão Michel Temer (PMDB), não encontra ressonância entre representantes de universidades e de trabalhadores do ensino superior. O impacto do corte de gastos imposto pelo Ministério da Educação (MEC) já muda a rotina dos campi pelo país. Alguns desses representantes das escolas de ensino superior afirmam que muitas instituições só têm dinheiro para custeio até setembro. Direções de universidades já adotaram cortes em diferentes setores, demissões de terceirizados e busca por parcerias viraram estratégia para fugir das dívidas.

Em Uberaba, por exemplo, o déficit orçamentário e financeiro, decorrente da crise econômica do país, levou o Hospital de Clínicas da Universidade Federal do Triângulo Mineiro (UFTM) a rescindir contrato com a empresa Segurar Vigilância e Segurança Patrimonial. O orçamento das universidades federais em 2016 foi de R$5,211 bilhões, mas em 2017 caiu para R$4,733 bilhões, o que representa uma queda de 9,2%. Os gastos com obras foram de R$1,630 bilhão, em 2016, e R$1,123 bilhão em 2017, um encolhimento de 31,1%.

O "custeio" das universidades representa os gastos como contas de luz, água, manutenção e pagamento de funcionários terceirizados. Por lei, não são despesas obrigatórias para o governo e, por isso, estão sujeitas a cortes, caso haja contingenciamento. Também pode sofrer cortes a verba de despesas de "capital", ou "expansão e reestruturação", ou seja, as obras realizadas nos prédios das instituições. Neste ano, o contingenciamento foi anunciado pelo governo federal em março e atingiu R$3,6 bilhões de despesas diretas do Ministério da Educação (além de R$700 milhões em emendas parlamentares para a área de educação).

O Sindicato Nacional dos Docentes (Andes) diz que os reitores das universidades federais relatam que o dinheiro proveniente dos recursos federais para despesa e manutenção será suficiente somente até o mês de setembro. Para tentar contornar o problema, renegociações de contratos e outras economias básicas se tornaram prioridade, segundo explica o professor Jacob Paiva, secretário do Andes.

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