Dois meses após o início do censo demográfico, recenseadores continuam a encontrar resistência na população em realizar a pesquisa. O coordenador de área do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) em Uberaba, Marshal Marangoni, esteve presente na sessão plenária da Câmara de Vereadores de Uberaba nesta semana, onde relatou a dificuldade no fornecimento de dados por parte dos uberabenses.
Em Plenário, Marangoni relatou que o recenseamento em Uberaba está atrasado tanto pelo medo da população em ceder as informações quanto pelo time reduzido de trabalhadores. A expectativa era de mil recenseadores circulando por Uberaba na obtenção das informações, mas a realidade é de pouco mais de 200 pessoas nas ruas.
“O medo, decorrente da violência e o baixo interesse da população em participar são algumas das dificuldades. Existem condomínios que também não permitem a entrada do pessoal do IBGE”, informa.
Marshal ressalta que a desinformação circulando também atrapalha os trabalhos. “O IBGE mantém toda informação em alto sigilo e elas são utilizadas apenas para fins de pesquisa”, afirmou.
Em Uberaba, as pesquisas abrangem 891 setores, sendo 67 rurais. Outro entrave para o trabalho, uma vez que os recenseadores relutam em ir às áreas rurais devido ao problema de transporte, de acordo com o representante do IBGE.
Ao final da sessão, o coordenador afirmou que necessita do apoio dos vereadores em diversos quesitos, como isenção na passagem do transporte coletivo para os recenseadores, mais segurança com a presença da Polícia Militar (PM) ou Guarda Civil Municipal (GCM) em locais de maior perigo, entre outras reivindicações.
Caso ocorram dúvidas, Marshal destaca que os recenseadores sempre estão com o colete e boné do IBGE, identificados com crachá e munidos de tablet que utilizam para o trabalho. “A população pode receber a visita em qualquer horário, até em finais de semana e feriados e por isso o receio por não ser horário comercial. Mas precisamos concluir esse trabalho para garantir também mais benefícios para o próprio cidadão”, arrematou.
Ao Jornal da Manhã, o coordenador do IBGE informou que apesar de não terem ocorrido agressões físicas, ameaças acontecem constantemente “Ameaças de agressão, ofensas e xingamentos são recorrentes. E até possível injúria racial (o recenseador não quis registrar boletim de ocorrência mesmo com nossa insistência). Fora que as pessoas muitas vezes mentem quando atendem, falando que é empregada da casa, ou simplesmente percebem pelas câmeras e nem atendem”, relata.
Marshal conta que não é possível determinar o desenrolar das pesquisas, mas os empecilhos podem gerar um atraso na entrega das informações.