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Minas Gerais está estruturando estratégia inédita para proteger a citricultura estadual. Produtores do Triângulo Mineiro, Alto Paranaíba e Noroeste lançaram o projeto Cinturão Antigreening, uma iniciativa do Sistema Faemg Senar e dos sindicatos rurais para conter o avanço da doença, considerada a mais devastadora da citricultura.
A ação pretende proteger uma área superior a 150 mil km², incluindo todo o Triângulo Mineiro, principal polo produtor do estado, responsável por cerca de 50% da produção citrícola mineira em 2024. O objetivo é reduzir o risco de disseminação do greening, preservar pomares e garantir a continuidade de investimentos e empregos no setor.
Minas Gerais ocupa atualmente a segunda posição nacional na produção de laranja, limão e tangerina, segundo dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). Além disso, a atividade vem crescendo, com expansão de aproximadamente 6% na área cultivada nos últimos cinco anos, o que reforça a necessidade de medidas preventivas.
Considerado a principal ameaça à citricultura, o greening (Huanglongbing – HLB) já provocou fortes perdas em regiões tradicionais como São Paulo, Bahia e Sergipe, além da Flórida, nos Estados Unidos, referência mundial em suco de laranja.
“Entre as estratégias do projeto estão a eliminação de plantas hospedeiras do inseto transmissor, monitoramento constante e resposta rápida a possíveis focos. Este cinturão vai proteger uma grande área produtiva e trazer mais segurança para os investimentos”, explica o presidente do Núcleo dos Sindicatos dos Produtores Rurais do Triângulo Mineiro e Alto Paranaíba, Osny Zago.
Como parte das ações, os municípios de Araxá, Sacramento e Ibiá já aprovaram leis que proíbem o plantio da murta, planta que favorece a proliferação do psilídeo, inseto transmissor da doença. “Fomos pioneiros em uma legislação simples, mas que traz grandes benefícios para o setor. Agora, o objetivo é ampliar essa iniciativa para outros municípios e consolidar Minas como referência na prevenção ao greening”, afirma o presidente do Sindicato Rural de Araxá, Osmar Gonçalves.
Investimentos em expansão. Mesmo diante do risco da doença, produtores seguem investindo na citricultura mineira. É o caso do produtor Franco Cruz Carvalho, que há dois anos diversificou sua produção e implantou 250 hectares de laranja na Fazenda Milênio, em Ibiá.
“A iniciativa do cinturão é fundamental para levar informação e evitar que a nossa região enfrente as mesmas dificuldades de São Paulo, onde a doença está avançada. Acredito muito no potencial da citricultura em Minas”, afirma o produtor, que espera colher cerca de 1.200 caixas por hectare, a partir do próximo ano.
Peso global. Segundo a analista de Agronegócios do Sistema Faemg Senar, Mariana Marotta, a citricultura brasileira tem peso estratégico global. “Três de cada quatro copos de suco de laranja consumidos no mundo são produzidos no Brasil. Porém, o setor enfrenta um grande desafio sanitário com o greening”.
A doença é causada por bactéria transmitida pelo psilídeo (Diaphorina citri), inseto altamente móvel, capaz de se deslocar por longas distâncias e disseminar rapidamente a infecção entre pomares. “Não existe cura para plantas infectadas, o que torna a prevenção a principal estratégia”, explica a analista.
Em 2025 houve aumento de 7,4% na incidência da doença na região citrícola que inclui São Paulo e parte do Triângulo/Sudoeste de Minas, de acordo com a Fundecitrus. Apesar disso, o Triângulo Mineiro ainda apresenta menor incidência relativa, o que reforça a importância das ações preventivas.
Experiências internacionais mostram o impacto econômico da doença. Na Flórida, por exemplo, o greening já provocou prejuízos estimados em US$1 bilhão por ano, além da redução de produtividade de até 30%.