À reportagem do Jornal da Manhã, o reitor da UFTM, Virmondes Rodrigues Junior, se disse surpreso com o ato dos alunos. Segundo ele, na verdade, a manifestação teve início com panelaço e retirada de carteiras das salas durante a reocupação do Centro Educacional, impedindo a realização de aulas e outras atividades. O reitor explica ainda que a reunião do Conselho Superior Universitário (Consu) foi convocada com base no Regimento Geral, por meio do que é chamado de Autoconvocação do Conselho Universitário. “O Consu tem reuniões periódicas e faz reuniões extraordinárias. Estas são convocadas pelo presidente do conselho, no caso o reitor, ou por um terço dos membros do conselho. Na semana passada, o movimento estudantil se mobilizou para conseguir um terço das assinaturas do conselho, necessárias para a realização da reunião marcada para hoje (quarta-feira, 16), a princípio para 14h”, esclarece Virmondes.
No início da semana, o número de assinaturas chegou a 24, quando o necessário eram 22, porém, com o manifesto de terça-feira (15), que culminou na reocupação do prédio da UFTM, alguns membros do conselho que haviam assinado a autoconvocação do Consu pediram a retirada do seu apoio. “Houve mais de oito retiradas de assinaturas depois que o movimento, sem nenhum fato novo, começou a intervir dessa maneira nas atividades programadas do Centro Educacional. Com a retirada dessas assinaturas, não há mais validade a autoconvocação, conforme diz o Regimento”, frisa.
Virmondes Junior lembra ainda que a reocupação do Centro Educacional foi uma ação precipitada e até condenada, com a cobrança de multas a quem voltasse a ocupar o prédio, o que configura desobediência à decisão da Justiça Federal. Além disso, o reitor afirma que o fundamento da autoconvocação do Consu é discutir assuntos que o conselho julga de relevância e que não estão sendo discutidos, no entanto, todos os assuntos da pauta apresentada para esta reunião extraordinária já foram discutidos e deliberados pelos conselheiros.
Ação. Para Virmondes, as manifestações têm motivação política, mas ele não sabe dizer se ela vem de chapas de oposição, já que no próximo dia 21 de maio, a comunidade acadêmica, formada por estudantes, professores e servidores administrativos da UFTM, escolhem a nova reitoria. “O que mais me chocou, e à minha família, foi o nível da manifestação, que antes ocorria dentro do ambiente da universidade, às vezes até de maneira desrespeitosa e ofensiva, mas que dessa vez foi para a rua, para a porta da minha casa, com ofensas pessoais e com acusações graves. Eu já os alertei de que existe um fórum para denunciarem qualquer desvio ou má gestão de recursos públicos, mas as falas, como as que ouvi na porta da minha casa, têm outra característica, é difamação, injúria e calúnia, então o ônus da prova passa a ser deles. Já estou com advogado, já recolhi todas as provas, com fotos e gravações, já fiz um boletim de ocorrência e vou entrar com ação direta de dano moral contra cada um daqueles que for possível serem identificados, sem prejuízo de qualquer ação interna dentro da universidade”, completa Virmondes Rodrigues Junior. (TM)