Do total de potenciais doadores, 469 tiveram contraindicação médica, 49 estavam com família ausente e 98 famílias não autorizaram
Arquivo/JM
Coordenador da CIH-DOTT, o médico Ilídio Antunes de Oliveira Júnior diz que a queda das doações de córneas de 2014 para 2015 foi de 10%
Relatório da Comissão Intra-Hospitalar de Doação de Órgãos e Tecidos para Transplante (CIH-DOTT) do Hospital de Clínicas da UFTM revela que de janeiro a dezembro de 2015, dentre os mil possíveis doadores, foram realizadas 133 entrevistas com familiares, o que resultou em 17 casos de doações autorizadas. No período, foram registradas captações de 34 córneas e quatro rins. Houve, ainda, 36 transplantes de córneas e cinco de rins.
Além disso, desde 2001, o projeto Vida pela Vida já realizou 21.210 coletas de sangue de voluntários interessados em se registrar no Cadastro Nacional de Doadores de Medula Óssea (Redome) e há oito pacientes em tratamento no hospital aguardando um doador compatível.
Do total de potenciais doadores, 469 tiveram contraindicação médica, 49 estavam com família ausente e 98 famílias não autorizaram a retirada de órgãos. Houve 35 casos de doadores com sorologia positiva, 168 fora da faixa etária indicada para doação de órgãos, três alegações de não doação devido a motivos religiosos e 16 casos de optantes em vida pela não doação. Em seis casos, o óbito havia ocorrido há mais de seis horas.
No entanto, em 2014, entre os 814 possíveis doadores, a Comissão realizou 105 entrevistas, 20 doações de múltiplos órgãos foram autorizadas e 99 visaram à doação de córneas. No período, foram registradas 40 captações de córneas, dois rins e um fígado. Houve 35 transplantes de córneas e quatro de rins. Já em 2013, dos 818 possíveis doadores, a Comissão realizou 99 entrevistas com familiares, o que resultou em 24 casos de doações autorizadas, sendo que das entrevistas, 91 visaram à doação de córneas.
De acordo com o coordenador da Comissão, o médico Ilídio Antunes de Oliveira Júnior, a queda das doações de córneas de 2014 para 2015 foi de 10%, mas em relação a 2013, a redução pode chegar a 30%. No caso das doações de múltiplos órgãos, quando é registrada a morte encefálica, a média de 50% está sendo mantida. “Costuma ser assim mesmo, pois é muito sazonal. O que precisa é se falar mais sobre o assunto. As pessoas têm que acordar para essa realidade e começar a pensar que um dia algum familiar ou elas podem precisar e, quando isso acontecer, elas não terão o direito de exigir que alguém doe. Tem 20 anos que trabalho com a Comissão e melhorou muito. No início quase não tínhamos doações em Uberaba”, avaliou.