ECONOMIA

Se não reagir, o varejo vai acabar, diz especialista

Rafaella Massa
Publicado em 03/09/2023 às 17:54Atualizado em 04/09/2023 às 22:11
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A ascensão da tecnologia mudou diversos aspectos da realidade, desde os meios de comunicação, ao compartilhamento de informações e também às compras. A cada dia é possível ver a preferência do consumidor se voltando para o e-commerce. Enquanto isso, o Centro de Uberaba, que já passava por um processo de debandada, sofre ainda mais com os impactos dos novos meios de consumo.  

No entanto, o mundo tecnológico não é o único fator que intensifica este esvaziamento. Segundo Fúlvio Ferreira, ex-presidente da Câmara de Dirigentes Lojista (CDL) de Uberaba, a expansão territorial da cidade também influência a escolha dos uberabenses.  

“Nós precisamos reconhecer que nos últimos 20 anos, Uberaba cresceu e esparramou. Então, nós temos corredores comerciais na cidade toda. Quem mora no [bairro] Rio de Janeiro vai, no máximo, na ponta da Prudente de Morais fazer compras, num barzinho, numa pizzaria, dificilmente vem no Centro da cidade. É raro alguém que more num bairro distante que venha no centro da cidade. Já foi o tempo em que o Centro da cidade tinha médico, dentista, tinha fórum, cartórios, tinha agência bancárias. Tudo estava no centro, hoje tudo está espalhado”, explica.  

Além disso, o custo de vida é outro aspecto que leva à diminuição nas compras, e não apenas no Centro. Fúlvio reforça que é preciso compreender as limitações financeiras dos consumidores. “Nós temos que reconhecer que está apertado para todo mundo. Se por um lado nós temos muitas pessoas desempregadas, nós temos também muita oferta de emprego. Mas muitas pessoas estão efetivamente desempregadas. Muitas pessoas estão ganhando pouco e as coisas estão muito caras. Então, o consumo está menor, está retraído. Por outro lado, o comércio às vezes não atende bem, não tem tantas ofertas, que o cliente gostaria de ter”, ressalta. 

E qual é o remédio? 
Segundo Fúlvio, investir em três pontos principais pode salvar a vida de um comércio, sendo eles: atendimento, variedade e publicidade. "Com o passar dos anos a gente falava 'A internet vai acabar com o varejo'. Vai acabar desde que o varejo não reaja. Entre as soluções está: primeiro ponto, o atendimento. Depois, variedade de estoque, facilidade de mercadoria. E propaganda. Infelizmente, o comerciante hoje acha que é custo, quando é investimento. O comerciante de qualquer porte tem que entender que a propaganda bem-feita, bem direcionada, com assessoria de um profissional, é um investimento e dá retorno", finaliza. 

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