IMPACTO

Sem planejamento, energia vira custo milionário e trava indústrias em Uberaba, diz Cemig

Superintendente afirma que obras de rede e subestações podem chegar a dezenas de milhões e devem entrar no projeto desde o início

Joanna Prata
Publicado em 09/02/2026 às 14:56
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A necessidade de planejamento energético e os custos para ampliação da rede elétrica têm impacto direto na instalação de indústrias e no desenvolvimento econômico de Uberaba. A avaliação é do superintendente regional de distribuição da Cemig no Triângulo Mineiro, Wellington Fazzi Cancian. Ao Pingo do J, da Rádio JM, o especialista pontua que empresários e poder público precisam prever investimentos em infraestrutura elétrica desde a concepção dos projetos. 

Segundo ele, muitas empresas ainda iniciam processos de expansão ou instalação sem considerar o custo da energia além da conta mensal. “As indústrias dependem não somente de pagar o custo da energia elétrica, mas também de participar efetivamente da melhoria da infraestrutura. Muitas vezes se imagina que esse custo seja gratuito, e isso não acontece”, explica. 

Cancian ressalta que, em alguns casos, o valor das obras necessárias pode chegar a dezenas de milhões de reais, o que acaba travando investimentos. Isso ocorre quando a rede existente não suporta o aumento de demanda e precisa ser ampliada, com construção de novas linhas ou subestações. “Muitas vezes o empreendedor faz o orçamento, imaginando que seria gratuito, e se depara com um investimento relevante. Aí o projeto acaba sendo postergado”, afirma. 

Outro ponto destacado pelo superintendente é que parte desses investimentos pode ser dividida com toda a população, por meio das tarifas de energia. Ele explica que, quando a obra beneficia o sistema como um todo, a distribuidora participa do custo, e essa parcela é diluída entre os consumidores. “Por exemplo, em um investimento de R$ 70 milhões, a distribuidora pode entrar com metade. Essa parte será dividida para todos os consumidores, porque a rede também beneficia a população”, diz. 

Para evitar problemas futuros, a Cemig defende que o planejamento energético seja feito antes mesmo da criação de distritos industriais ou da instalação de empresas. Cancian afirma que a companhia já mantém conversas com a Prefeitura de Uberaba sobre novos projetos. “Um distrito industrial deve ser implantado com infraestrutura básica: estradas, água e energia. É importante conhecer a demanda antes para direcionar o investimento adequado”, explica. 

Ele compara a situação ao sistema viário. “É como chegar a uma estrada vicinal e precisar transformá-la em rodovia. Sem planejamento, o custo aumenta e o prazo também”, afirma. Segundo o superintendente, a localização da empresa também influencia diretamente no valor do investimento. Empreendimentos distantes das redes de transmissão podem exigir a construção de linhas de até dezenas de quilômetros. 

No caso de grandes consumidores, como data centers ou indústrias de alto consumo, o processo pode envolver até o sistema elétrico nacional e levar de um a dois anos para conclusão das obras. “Dependendo da demanda, pode ser necessária uma nova ‘rodovia’ de energia. Esse tipo de infraestrutura não se constrói de forma imediata”, explica. 

A orientação da Cemig é que empresários procurem a distribuidora ainda na fase de projeto para avaliar a capacidade da rede e incluir o custo de eventuais reforços no planejamento financeiro. Segundo Cancian, essa antecipação evita atrasos, custos inesperados e até a inviabilização de novos empreendimentos.

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