SSPMU questiona por que trabalhadores terão de arcar com oito meses de diferenças e afirma que atraso na negociação não pode ser transferido à categoria
O Sindicato dos Servidores Públicos Municipais de Uberaba (SSPMU) repudiou a cobrança retroativa do reajuste de 8,45% no plano de saúde do funcionalismo e cobrou uma solução para reduzir o impacto financeiro sobre os trabalhadores. A medida atingirá diretamente 2.874 servidores que optaram por modalidades com cobertura superior ao plano básico custeado pelo Município.
Em nota assinada pelo presidente Luís Carlos dos Santos, o sindicato classifica como inadmissível que as diferenças acumuladas durante oito meses sejam cobradas dos servidores em apenas quatro parcelas. O retroativo corresponde ao período de outubro de 2025 a maio de 2026, com pagamento previsto nos boletos que vencem entre julho e outubro deste ano.
Segundo o SSPMU, os servidores não podem ser responsabilizados pelo tempo necessário para a conclusão das negociações entre a Prefeitura de Uberaba e a Unimed. A entidade questiona por que “todo o ônus decorrente da demora” recairá sobre os trabalhadores e afirma acompanhar o caso com preocupação.
A manifestação ocorre após a Prefeitura confirmar que a cobrança alcançará os servidores que escolheram planos diferentes daquele oferecido integralmente pelo Município, com cobertura em rede ampla. Nesses casos, o trabalhador já paga diretamente à operadora a diferença entre a modalidade escolhida e o plano básico custeado pelo poder público. Os demais servidores em exercício continuarão com o plano básico pago pela Administração.
O Município informou não possuir o número de dependentes que também serão afetados, pois a contratação e a gestão desses beneficiários são realizadas diretamente entre o servidor e a Unimed. A Prefeitura atribuiu o retroativo ao período necessário para concluir as negociações com a operadora e declarou ter solicitado o parcelamento para diminuir o impacto financeiro sobre os trabalhadores.
O reajuste de 8,45% havia sido oficializado em aditivo contratual publicado no Porta-Voz, mas o documento não mencionava a cobrança retroativa. O contrato com a Unimed foi prorrogado por mais 24 meses e atende mais de 14 mil pessoas, entre servidores e dependentes.
O SSPMU também relaciona a cobrança ao cenário salarial da categoria. Na avaliação do sindicato, os servidores ainda não receberam recomposição suficiente para compensar integralmente as perdas inflacionárias, enquanto enfrentam aumento do custo de vida. A entidade sustenta que o retroativo representa uma nova pressão sobre o orçamento dos trabalhadores.
Situação semelhante ocorreu em 2023, quando o plano de saúde teve reajuste de 30% e acumulou diferenças referentes a seis meses. Na época, após reclamações do funcionalismo, a Unimed concedeu desconto de 50% sobre o passivo e dividiu o restante em até 12 parcelas. A operadora informou naquele momento que absorveria aproximadamente R$ 800 mil para aliviar o impacto sobre os servidores.
Desta vez, até o momento, não foi anunciado desconto sobre os valores acumulados. O parcelamento comunicado aos servidores será feito em quatro vezes.