CIDADE

Superintendência afirma que o momento não é adequado para o fumacê

Coordenador ressalta que o fumacê não é a única ação que apresenta resultados positivos no combate ao inseto transmissor da dengue

Thassiana Macedo
Publicado em 28/01/2014 às 01:12Atualizado em 19/12/2022 às 09:15
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Outro objetivo da apresentação da SRS Uberaba foi o de esclarecer em que situações deve ser utilizado o equipamento ou veículo de UltraBaixo Volume (UBV), também conhecido como fumacê. O coordenador da Vigilância Sanitária da SRS Uberaba, Maurício de Oliveira, alerta que em razão de a técnica de combate ao mosquito utilizar produtos químicos, como o inseticida, é preciso seguir critérios específicos tanto para atingir a eficácia da ação como para evitar efeitos nocivos à saúde humana e ao meio ambiente. E, segundo ele, este não é o momento para utilizá-lo.

O coordenador ressalta que o fumacê não é a única ação que apresenta resultados positivos no combate ao inseto transmissor da dengue. “O uso do fumacê, ou seja, a aplicação do inseticida de maneira espacial, é uma forma apenas emergencial e complementar às demais técnicas de enfretamento. Por isso, a indicação tem critérios muito bem definidos. É preciso ter alta transmissão, o que ainda não temos em Uberaba. Além da avaliação do levantamento do LIRAa, que mede a ocorrência do mosquito em determinadas regiões. A Superintendência decidiu usar três fumacês em Uberaba porque o LIRAa nos mostrou que em algumas regiões estão com índice de infestação alto, associado a notificações de casos”, explica.

É considerada alta transmissão acima de 300 casos de dengue por 100 mil habitantes, no entanto, segundo levantamento epidemiológico da superintendência, Uberaba está com incidência de apenas 92,23 casos. “Se formos analisar o município como um todo, tanto em relação ao número de casos notificados quanto de índice de infestação, não há indicação técnica, neste momento, para o uso do fumacê em todo o município”, alerta.

Para se obter a eficácia do fumacê, Maurício de Oliveira revela que é preciso atender a alguns critérios de indicação. O coordenador alerta que como o fumacê é uma técnica complementar, é preciso continuar as visitas dos agentes, as ações de bloqueio de transmissão com ações de eliminação de focos do mosquito, a educação com informações sobre prevenção e os mutirões de limpeza para que o fumacê tenha eficácia. “O inseticida do fumacê mata a fêmea adulta e para isso ela precisa estar voando, ele depende de questões climáticas, sendo que se o vento estiver forte leva o inseticida embora, não pode estar chovendo e há horários específicos em que a nuvem do produto percorre o espaço necessário para atingir o mosquito. Quando o carro de UBV passa em uma rua, se a casa tiver muro alto, o veneno não vai chegar até o fundo das casas, então não vai eliminar mosquito nenhum. Além disso, o fumacê não tem ação residual, ou seja, aquela larva que está no vasinho de planta não será eliminada”, explica.

Apesar de a eficácia ser baixa com a aplicação neste momento, o coordenador de Vigilância Sanitária ressalta que se não houve risco algum associado ao uso do UBV, o fumacê poderia ser utilizado indiscriminadamente, mas inseticida é veneno para matar o mosquito da dengue, mas utilizado de forma inadequada ele pode trazer riscos à saúde da população. “O risco ambiental também deve ser considerado, pois o veneno fica na superfície do solo da cidade e outra questão é que o veneno mata outros insetos, que não só o da dengue, o que pode acarretar desequilíbrio ecológico. Além disso, há o risco de que o mosquito da dengue na nossa região adquira resistência ao inseticida, ou seja, o veneno passa a não fazer mais o efeito desejado. Por isso, tudo é preciso ter cuidado na indicação e no uso do UBV”, completa Maurício de Oliveira.

Após o último LIRAa, que apresentou índice de 2,3, apenas algumas regiões da cidade atingiram índice preocupante e, por isso, irão receber o fumacê.

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