População carcerária se aproxima de um milhão no país e presídios seguem operando acima da capacidade, gerando desafios para a fiscalização e cumprimento das penas
Uberaba encerra 2025 enfrentando o desafio da superlotação nos presídios. Mesmo com a inauguração de novas unidades em Iturama e Frutal, a capacidade máxima das penitenciárias ainda é insuficiente para abrigar o número crescente de detentos na região.
Na avaliação do comandante da 5ª Região de Polícia Militar, Coronel PM Rodrigo Wolf, a superlotação é um problema grave também na região. “A população carcerária do Brasil se aproxima de 800 mil pessoas. Minas Gerais representa 10% desse total e, nos próximos cinco anos, podemos passar da casa de um milhão”, afirmou.
Apesar da criação de penitenciárias de referência nacional, a demanda ainda supera a capacidade das unidades. Segundo Coronel Wolf, algumas prisões operam com até três vezes mais detentos do que a capacidade prevista, aumentando o risco para os policiais penais e complicando a gestão do sistema prisional.
A fiscalização de medidas alternativas, como tornozeleiras eletrônicas e prisão domiciliar, também foi intensificada. Operações recentes mostraram que grande parte dos beneficiados descumpre regras, o que reforça a necessidade de monitoramento constante e ampliação das estruturas carcerárias.
O comandante ressaltou que os esforços para controlar a superlotação envolvem não apenas a Polícia Militar, mas também o Judiciário e a administração penitenciária, buscando garantir que as penas sejam cumpridas de forma eficaz e segura. “Não adianta. O tanto que trabalha, o tanto que atua, investiga e faz, o senhor pode criar mais 3, 4, 5 (penitenciárias). A evolução do Brasil, que tem no número de pessoas presas, infelizmente, nos últimos 30 anos, era de números irrisórios pra coisa absurda hoje”, finaliza Wolf.